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Seminário Joaquim Serra

Maranhão: os desafios no jornalismo debatidos no marco comemorativo dos 30 anos da Intercom

As lições da história do jornalismo, os desafios da profissão e as lutas da categoria foram os temas do Seminário Joaquim Serra: antigos e novos desafios do jornalismo no Maranhão, realizado pela Associação Maranhense de Imprensa, Intercom e Departamento de Comunicação Social da UFMA, no último dia 5 de julho, no Campus do Bacanga. O evento foi o marco comemorativo dos 30 anos da Intercom no Estado.

O seminário contou com a participação de alunos e profissionais que acompanharam as reflexões da jornalista e pesquisadora Roseane Arcanjo Pinheiro, do Núcleo Estadual da Rede Alfredo de Carvalho; do Prof. Dr Francisco Gonçalves, coordenador do Curso de Comunicação Social, e da presidente da AMI, jornalista Wal Oliveira.

Roseane Pinheiro apontou questões importantes sobre a trajetória do jornalismo local. “São Luís foi a quarta cidade das possessões portuguesas na América a conhecer a tipografia. Temos um jornalismo vigoroso, mas que conviveu e convive com as desigualdades sociais, as débeis políticas econômicas e os entraves políticos”, disse a autora da dissertação “Gênese da Imprensa no Maranhão nos séculos XIX e XX”, orientada pelo Prof. Dr. José Marques de Melo na Universidade Metodista de São Paulo. A jornalista frisou que circularam Estado, entre 1821, ano do jornal pioneiro, até 2006, mais de 500 jornais. “O jornalismo e a sociedade andam juntos. Para o jornalismo vingar é necessário que a sociedade superar as causas socioculturais que impedem seu desenvolvimento efetivo”, asseverou.

O professor Francisco Gonçalves discorreu sobre os dilemas do jornalismo hoje. “Na minha perspectiva são três: a velocidade, a visibilidade e a interlocução”, afirmou. “A velocidade sempre foi uma questão central e hoje deixou o jornalismo impresso em crise em razão da tecnologia digital. Estamos vendo o modelo da produção jornalística colocado em xeque”, explicou. Sobre a visibilidade, o coordenador do curso de Comunicação questionou o alcance da cobertura jornalística e a visão construída pelo jornalismo sobre a realidade. “Qual o mapa da cidade que temos nos jornais? Quais são os aspectos que estão fora da pauta?”, questionou.

A interlocução, com as mudanças na relação entre jornais, fontes e leitores, foi o terceiro dilema exposto por Francisco Gonçalves. Ele sublinhou a profissionalização das fontes, a organização tecnológica e a disputa pelo espaço jornalístico como características atuais da produção da notícia.

Formação específica – A presidente da AMI abordou os desafios da profissionalização e da organização dos jornalistas. “O jornalismo é uma atividade complexa e de grande importância social, por essa razão defendemos a exigência da formação em nível em respeito à sociedade. O jornalista tem um compromisso ético com a qualidade da informação”, pontou Wal Oliveira.

A jornalista frisou que não se trata de uma luta meramente corporativista e sim de interesse coletivo. “Essa bandeira é histórica. Em 1908, por exemplo, a ABI já afirmava que a formação universitária era necessária para o trabalho jornalístico e defendia a abertura de cursos por todo o país”.

Ela apontou a criação do Conselho Federal de Jornalistas, a mudança do Código de Ética, em andamento, e a luta contra a precarização da profissão como frentes fundamentais para a valorização profissional na atualidade.

Associação Maranhense de Imprensa
Coordenação do Núcleo Estadual da Rede Alcar
Roseane Pinheiro