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JORNAL INTERCOM
Jornal quinzenal da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação

Ano 6, nº 163, São Paulo – SP – Brasil 13 de julho de 2010
ISSN 1982-372X

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Destaque

Linha crítica da comunicação é destaque em Seminário Alagoano

Por Edja Jordan (Cepcom-Comulti)

Teve início no último dia 6 de julho, no Teatro Linda Mascarenhas em Maceió (AL), o I Seminário Alagoano de Economia Política da Comunicação. O evento foi organizado pelo Grupo de Pesquisa e Extensão Comunicação Multimídia (Comulti), e o primeiro dia de debates contou com a participação dos professores José Marques de Melo e César Bolaño, além do Mestre em Comunicação Tiago Zaidan, num painel sobre a linha crítica da Economia Política da Comunicação (EPC).

Em sua apresentação, o professor José Marques de Melo (Cátedra Unesco/Universidade Metodista de São Paulo) traçou um panorama da Economia Política da Comunicação, desde o seu surgimento na Europa, no final do século XX , até sua aparição na América Latina, nos anos 60. Em sua abordagem, José Marques destacou as diversas correntes do pensamento da EPC, entre elas a linha marxista.

Na Economia Política da Comunicação podemos encontrar duas vertentes; uma pragmática, corrente mais preocupada com as implicações práticas da comunicação, e a outra crítica, que se dedica a questionar as estruturas vigentes”, explicou Marques. De acordo com ele, a compreensão dos fenômenos da comunicação pela ótica materialista dialética se fundamenta no papel que os meios exercem sobre o processo de acumulação do capital.

Em seguida, o professor César Bolaño (ALAIC/Universidade Federal de Sergipe) resgatou o conceito de Indústria Cultural na perspectiva crítica da Economia Política da Comunicação. Ele explicou que a primeira ciência social foi a Economia Política, surgida no século XIX com o intuito de justificar a economia liberal.

De acordo com Bolaño, a linha crítica da EPC surge no século XX, a partir dos estudos relativos à Indústria Cultural, como resposta ao capitalismo, sob o comando norte-americano. A Indústria Cultural faz a mediação entre os poderes e a massa, elas cumprem um papel de reprodução ideológica, completou ele.

Por último, o integrante do núcleo de Crítica à Economia Política da Comunicação do Comulti Tiago Zaidan abordou o golpe de 64 e a disputa pelo poder através dos veículos de comunicação, analisando o caso da mídia impressa alagoana. Na explanação, Zaidan apresentou a ligação de jornais como a Gazeta de Alagoas com a elite política apoiadora do Golpe Militar de 1964. De acordo com ele, houve forte participação da mídia impressa alagoana em torno dos objetivos defendidos pelo movimento modernizante- conservador que deflagrou o Golpe.