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JORNAL INTERCOM
Jornal semanal da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação

Ano 5, nº 127, São Paulo – SP – Brasil 16 de fevereiro de 2009
ISSN 1982-372X

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ECA/USP perde o fundador do curso de cinema

Faleceu em São Paulo, no dia 27 de janeiro de 2009, aos 78 anos de idade, o escritor e cineasta Rudá de Andrade, fundador do Curso de Cinema da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Filho de Oswald de Andrade e de Pagu, Rudá estudou cinema na Itália e trabalhou como conservador da Cinemateca Brasileira, na década de 50.

Na ECA-USP, atuou como docente de 1966 a 1970. Fez parte da equipe que esteve na vanguarda uspiana, liderada pelo professor Julio Garcia Morejón, que deu bases sólidas ao ensino e à pesquisa em comunicação no Brasil. Rudá de Andrade pertence à geração de Alfredo Mesquita (fundador da escola de arte dramática), Maria Luisa Monteiro da Cunha (fundadora do curse de biblioteconomia), Teobaldo de Souza Andrade (fundador do curso de relações públicas) e Virgilio Noya Pinto (responsável pelo ciclo básico, então pensado como oportunidade de reciclagem humanística).

Permanecem vivos e ativos quatro docentes fundadores da instituição: Rolando Morel Pinto (fundador do departamento de os estudos lingüísticos e literários), Nelly de Camargo (fundadora do departamento de ciências e tecnológicas), André Casquel Madrid (fundador do curso de rádio e televisão) e José Marques de Melo (fundador do curso de jornalismo).

Por iniciativa de Rudá de Andrade, a ECA-USP sediou em 1968 um seminário internacional sobre a pesquisa em cinema e televisão, patrocinado pela UNESCO, atraindo intelectuais de prestígio mundial, como o cineasta italiano Roberto Rosselini, o sociólogo francês Edgar Morin, o cinéfilo cubano Alfredo Guevara o cineasta brasileiro GlauberRocha e tantos outros.

ogo depois, Rudá assumiu a direção do Museu da Imagem e do Som. Vítima de um equívoco judicial, foi acusado de envolvimento com o tráfico de drogas na Europa, permanecendo recluso durante numa prisão francesa durante algum tempo. Essa amarga experiência ele transformou em matéria prima literária, escrevendo o livro Cela 3 – a grade agride, agraciado com o Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro em 1983, conforme noticiou a revista Pesquisa da Fapesp, n.156, de fevereiro, 2009.