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JORNAL INTERCOM
Jornal semanal da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação

Ano 4, nº 94, São Paulo – SP – Brasil 25 de abril de 2008
ISSN 1982-372X

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Acontece

Economia Política da Comunicação é tema discussões em Bauru

O 2º Encontro do Capítulo Brasil da União Latina de Economia Política da Informação, da Comunicação e da Cultura (Ulepicc) acontece de 13 a 15 de agosto, na Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da UNESP, em Bauru (SP), e tem como temática a relação entre “Digitalização e Sociedade”.

O encontro contará com a participação de pesquisadores de renome internacional. A conferência de abertura, prevista para as 19h30 do dia 13 de agosto, será ministrada pelo presidente da Ulepicc Internacional, Luis Albornoz (Universidade Carlos 3º/Madri). Os debates iniciam-se na manhã do dia 14, com um painel sobre “Economia política e políticas de comunicação no paradigma digital”, encabeçado pelos professores Valério Brittos (Unisinos); Murilo César Ramos (UnB) e César Bolaño (UFS), e outro a respeito das “Indústrias culturais e digitalização”, liderado por Anita Simis (Unesp); Suzy dos Santos (UFRJ) e Laurindo Leal Filho (Cásper Líbero-USP).

As sessões dos Grupos de Trabalho acontecem sempre no período da tarde. Os artigos serão distribuídos em cinco linhas temáticas: “Políticas de comunicação”, coordenada por Maria Teresa Miceli Kerbauy (Unesp); “Políticas culturais e economia da cultura”; “Indústrias Midiáticas”, cujas apresentações ficarão sob coordenação de Juliano Maurício de Carvalho (Unesp); “Comunicação pública, popular ou alternativa”, organizada por Adilson Vaz Cabral Filho (UFF) e “Teorias”, grupo que ficará sob supervisão de Gilson Schwartz (USP).

Para os painéis do dia 15, foram convidados os pesquisadores Adilson Cabral (UFF), Antônio Magnoni (Unesp) e Leandro Ramires Comassetto (UnC), que irão discutir a “Comunicação comunitária na era digital”, além de Ruy Sardinha (USP), William Dias Braga (UFRJ) e Antônio Carlos de Jesus (Unesp), cuja temática de debate vai girar em torno das “Convergências e desafios da digitalização”.

TRABALHOS – Até o dia 6 de maio, trabalhos poderão ser inscritos no evento. O paper submetido à apreciação deve ter entre 30 e 40 mil caracteres, estar de acordo com as normas da ABNT e ser direcionado a um dos GTs. As normas para formatação estão disponíveis no site
www.faac.unesp.br/pesquisa/lecotec/eventos/ulepicc2008.

Ao final do evento, haverá uma reunião com os grupos de pesquisa. A idéia é compartilhar os resultados de investigações e avaliar o amadurecimento dos estudos da Economia Política da Comunicação nos últimos anos.

O primeiro encontro da Ulepicc-Brasil, realizado em outubro de 2006, em Niterói (RJ), foi pautado nas interfaces com outros campos das Ciências de Comunicação e serviu para aproximar os membros da entidade, além de trazer à tona diversos referenciais teóricos. O Encontro resultou na confecção do livro “Economia Polí­tica da Comunicação:Interfaces Sociais e Acadêmicas no Brasil”, a ser publicado ainda no primeiro semestre de 2008, pela editora e-Papers. Dentre os assuntos discutidos na obra estão o renascimento da Economia Política nas análises da comunicação; especificidades atuais da indústria cultural; TV Digital; cultura tecnológica; políticas para comunicação e cidadania; as relações entre sociedade e televisão e entre comunicação e cultura; materialismo dialético e os observatórios de comunicação.

“O Príncipe Lê Jornais” é lançado em João Pessoa

O cotidiano e o poder no jornalismo impresso foram os temas centrais abordados no primeiro volume do livro “O Príncipe lê jornais” (Ed. Marcas de Fantasia, Série Veredas. 100 p. 2008. R$14,00), a nova publicação do Grupo de Pesquisa sobre o Cotidiano e o Jornalismo da Universidade Federal da Paraíba (Grupecj/UFPB) que será lançado oficialmente nesta sexta-feira (25), a partir das 19h30, no Casarão Philipéia, localizado no centro histórico de João Pessoa. A apresentação do livro será feita pelo professor de literatura e jornalismo Hildeberto Barbosa Filho. Logo após a cantora Geanne Seixas e o violonista Fabiano, profissionais recém-chegados ao grupo mostram seu talento para artes.

Na mesma ocasião a jornalista de mestranda em Sociologia Viviane Marques Guedes lançará o livro “O visível silêncio e a política Fosca” (Editora Elógica Press, Olinda, 159 p.). Os lançamentos marcam as comemorações de cinco anos do Grupecj.

O Príncipe Lê Jornais foi organizado pelo professor Doutor Wellington Pereira e conta com ensaios de autoria de Jorge Fernando Hermida, Adriana Crisanto Monteiro, Viviane Marques, Ana Carolina Porto, Daniel Abath, Hildeberto Barbosa Filho e do próprio organizador. Para compor os textos que hora se faz presente nesta edição os pesquisadores, orientados pelo coordenador do grupo Wellington Pereira, selecionaram jornais e a partir destes passaram a analisar e fazer reflexões com base nos teóricos que falam sobre a questão do poder.

Os textos não são foram produzidos apenas na tentativa de realizar uma melhor apreensão sobre o poder e a comunicação, mas um entendimento profundo do que ocorre na prática jornalística.

O ensaio de abertura é de autoria do professor Jorge Fernando Hermida. Nele o autor faz um passeio pelas obras de vários escritores que falam sobre o poder, a exemplo de Maquiavel, Mark, Bobbio, István Meszaros, Habermans entre outros.

O estudante e bolsista do projeto do Grupecj, Daniel Abath, no seu ensaio “A vontade de potência nos sujeitos semióticos” observa que o acesso no discurso de certas fontes e a forma como os jornais diários se apropriam das falas e dos atores sociais. “O discurso cria uma forma cotidiana de abordagem das notícias, que se preocupa muito mais em legitimar o discurso do poder do que retratar as reais injunções cotidianas da sociedade civil”, comentou Abath.

A ensaísta Viviane Marques no seu texto “A institucionalização do poder simbólico” diz que a presença do poder está presente mesmo nas simples conversas entre interlocutores, mesmo que não seja na medida persuasiva.

Com receio de negligenciar a pluralidade de poderes existentes no jornalismo, a ensaísta Ana Carolina Porto, no texto “O jornalismo e seus poderes”, buscou no teórico Neveu subsídios que dessem conta da amplitude que é o poder no jornalismo paraibano. A autora não apenas enquadra um objeto na teoria, mas constrói ao longo texto conceitos sobre o poder, um verdadeiro exercício produtivo e criativo.

A jornalista Adriana Crisanto Monteiro no texto “Fragmentos sobre o poder e jornalismo” chama atenção para questões ideológicas que envolvem o poder no cotidiano dos meios impressos e traz um pouco de sua prática jornalística para dentro de suas análises, provando que a prática e a teoria podem caminhar juntas e mostrando ainda que os modos de exercer o poder no jornalismo são múltiplos, indo da persuasão até a coersão.

Em depoimento final o professor de ética e de direito à informação, Hilbeberto Barbosa Filho, comenta sobre o trabalho que vem sendo desenvolvido com muito ardor e paixão pelo Grupecj e finaliza dizendo: “Penso que o grupo ganha visibilidade, expandindo suas ressonâncias cognitivas, não somente na ingerência de sua formalização, dos seus encontros, daquilo que o constitui como corpo físico palpável, mas, sobretudo, no que deixa de provocação reflexiva, de conteúdo teórico, de aventura epistêmica”, finalizou.

A obra foi editada pela Editora Marca de Fantasia, do professor Henrique Magalhães, e pode ser encontrada para venda no site da editora, através do endereço eletrônico: www.marcadefantasia.com.br .