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JORNAL INTERCOM
Jornal semanal da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação

Ano 4, nº 85, São Paulo – SP – Brasil 22 de fevereiro de 2008
ISSN 1982-372X

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Comemoração consciente
Sinacom 2007 celebrou 30 anos de existência da Intercom discutindo futuro das Ciências da Comunicação

Por Karina Gomes e Luisa Purchio

Nos dias 11 e 12 de dezembro, o VI Simpósio Nacional das Ciências da Comunicação (Sinacom 2007), encerrou a programação de comemoração dos 30 anos da Intercom e de 50 anos da comunidade internacional de Ciências da Comunicação. O evento, realizado nas sedes da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) do Serviço Social do Comércio (Sesc), contou com o apoio da Cátedra Unesco/Universidade Metodista de São Paulo e Faculdade Cásper Líbero.

Pesquisadores seniores e emergentes refletiram em quatro painéis sobre o tema “Qual o futuro das ciências da comunicação? A quem ela serve? Como desenvolvê-la? Brasil 1957-2007”. Segundo José Marques de Mello, presidente da Intercom e fundador da entidade, o objetivo do simpósio foi avaliar o desenvolvimento das Ciências da Comunicação e atuação da Intercom frente à conjuntura nacional a fim de garantir o sucesso presente e o progresso do campo nos próximos anos. “ Nós estamos, exatamente, procurando avaliar os acertos da nossa atuação para potencializá-los, e os erros para não repeti-los. Ou seja, queremos aprender com a história, ela é a mestre da vida”, afirma.

Desde sua criação, a Intercom agrega pluralismo de idéias, liberdade de pensamento em um espaço de solidariedade entre seus pesquisadores. Presente em todo o país, a sociedade nascida no espaço universitário tem um papel social junto ao meio acadêmico, ao Governo e às instituições brasileiras. “A Intercom surgiu como uma interface da sociedade, no âmbito de uma movimentação da sociedade civil em um período de autoritarismo. Dessa maneira, a interlocução com a mídia, com as entidades, com os partidos e com toda a sociedade é muito forte”, diz Anamaria Fadul, presidente do Conselho Curador.

Nos painéis de discussão, pesquisadores, profissionais da área e professores constataram as conquistas da comunicação na academia e na sociedade. Entretanto, suas deficiências são marcantes no contexto político-econômico e social do país. As exclusões cultural, educativa e digital, os currículos mal-formulados e a falta de expressões de cidadania na mídia são entraves a serem vencidos pela Intercom e seus sócios por meio de estratégias, reunidas na Carta de São Paulo.

“Precisamos trazer para dentro dessas empresas de comunicação esse tipo de reflexão a respeito do papel da mídia. É importante resgatar seu papel num país com grandes desigualdades sociais, regionais, econômicas e educacionais. Precisaríamos trazer para a grande mídia esse sentido de ator social”, constata a presidente Anamaria Fadul. Em relação à Intercom a presidente afirma que “o papel das Ciências da Comunicação é envolumar um pouco mais esse campo e levar para as empresas de comunicação essa necessidade de pensar o papel da mídia na atual conjuntura”. José Marques de Mello garantiu a parceria da Intercom com mais instituições do país e, principalmente, com o mercado de trabalho.

O último dia do evento, 12 de dezembro, data da fundação da Intercom no quinto andar da Faculdade Cásper Líbero, reservou surpresas. Pesquisadores foram premiados com medalhas de cada presidente da entidade nos 30 anos de sua atuação. Estudantes de comunicação de todo o país receberam prêmios estudantis pelas melhores iniciações científicas de 2007.

Ada Dencker, Ana Maria Fadul, Maria Immacolata, Carlos Eduardo Lins, Margarida Künsch, Paulo Rogério Tarsitano. Todos com medalhas a entregar. “E José Marques de Mello? Ele fez medalhas para todos nós. Só não fez para ele mesmo!”, declarou Margarida Künsch, antes de anunciar a Medalha José Marques de Mello. Em coquetel na Faculdade Cásper Líbero, a medalha foi entregue ao decano dos professores de jornalismo do Brasil, professor Erasmo Nuzzi, que agora descansa, depois de muitos anos de trabalho, em sua chácara na Serra da Cantareira.