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JORNAL INTERCOM
Jornal semanal da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação

Ano 4, nº 110, São Paulo – SP – Brasil 29 de agosto de 2008
ISSN 1982-372X

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Entrevista

Para entender as ciências da comunicação

Com lançamento marcado para o dia 1º de setembro, o livro “História política das ciências da comunicação” traça um panorama a respeito da legitimação do campo no Brasil e no mundo.

Sobra o assunto, o autor, professor José Marques de Melo, conversou com o assessor de imprensa do Intercom 2008, Fernando Hippólyto. Confira.

Quais aspectos da história política o senhor aborda?

Analiso o sistema de poder vigente no espaço universitário, onde as áreas hegemônicas tutelam os campos emergentes do saber, muitas vezes retardando seu desenvolvimento ou impedindo sua existência. Meu foco está no campo da comunicação, que tem experimentando crescimento expressivo, mas ainda batalha pela sua legitimação. A questão principal está na distribuição dos recursos para o ensino e no apoio à pesquisa científica.

A pesquisa engloba a história mundial ou apenas nacional?

Estudo o quadro nacional dentro do panorama mundial que caracteriza o campo da comunicação hoje. Procuro situar o leitor diante de uma história em processo, destacando cenários e personagens emblemáticos. Como tenho sido um observador participante de muitos episódios que assumiram dimensão histórica, incluo depoimentos que ajudam as novas gerações a discernir entre a essência e a aparência dos fenômenos.

Por que optou pelo lançamento em Natal?

Pela coincidência da circulação do livro com o momento em que Natal vai receber a comunidade nacional de ciências da comunicação, durante o congresso da Intercom.

Os assuntos abordados no livro fazem passagem pelo tema do Intercom 2008?

O conteúdo do livro é mais abrangente. Voltado para o reconhecimento histórico do campo acadêmico da comunicação, não focaliza temas específicos da agenda pública. Mas a Intercom, como sociedade científica, merece referências, sobretudo no capítulo que trato da vanguarda brasileira das ciências da comunicação.

Como surgiu o interesse na pesquisa desse tema?

Venho trabalhando com a História do Pensamento Comunicacional há mais de uma década. Meu interesse vem desde os bancos universitários e ficou acentuado com o passar do tempo. Dei-me conta da importância do resgate histórico para fortalecer um campo novo do conhecimento, como é o da Comunicação no Brasil, cuja configuração só se dá a partir dos anos 60 do século passado.

O senhor poderia fazer um breve resumo da obra?

Desde a antiguidade greco-romana os processos de comunicação fazem parte do saber institucionalizado. Desbravaram este campo do conhecimento, pioneiros como Aristóteles e Quintiliano. A Alemanha e os Estados Unidos ocupam papel decisivo nesse panorama, legitimando o ensino e a pesquisa sobre a comunicação massiva (jornalismo, propaganda, entretenimento). O Brasil participou desse momento histórico, mas ficou ausente da vida comunitária por falta de uma comunidade nacional organicamente constituída. Não obstante a nossa produção de conhecimento comunicacional remonte a meados do século 19 e a instituição do campo da comunicação seja contemporânea dos acontecimentos do pós-guerra, a realidade é que somente nos estertores do regime militar pós-64, logramos sedimentar a comunidade nacional de ciências da comunicação. Este livro pretende contribuir para balizar a ação dos que se iniciam no campo, estimulando o aparecimento de uma vanguarda conseqüente e coerente, capaz de pavimentar o terreno para os saltos que o Brasil precisa empreender, potencializando o legado até agora acumulado.

O senhor gostaria de mencionar mais alguma informação importante?

Trata-se de obra assinada por um observador participante, alguém que esteve no epicentro de alguns acontecimentos, testemunhando fatos, interagindo com personagens ou influindo através de intervenções em congressos ou artigos publicados em periódicos nacionais e internacionais. Procurei escrever de modo claro e objetivo, problematizando os fatos, no sentido de suscitar o interesse dos estudantes dos cursos de comunicação, que muitas vezes estudam as teorias do campo, mas não compreendem suas origens, motivações, aplicações.