JORNAL INTERCOM![]()
Jornal semanal da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação![]()
Ano 4, nº 110, São Paulo – SP – Brasil
29 de agosto de 2008![]()
ISSN 1982-372X![]()
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Acontece
Memória do jornalismo: liberdade de acesso aos acervos particulares
Pesquisadores, estudantes, jornalistas e professores participaram do seminário “Memória do jornalismo brasileiro: os desafios da preservação”, organizado pelo Centro de Cultura e Memória do Jornalismo e Fundação Casa de Rui Barbosa, realizado na segunda-feira (dia 25 de agosto), no auditório da FCRB, no Rio de Janeiro.
Reunidos em três mesas de debates, os participantes destacaram a importância história da imprensa brasileira e defenderam variadas teses, entre as quais a importância de o poder público formular políticas voltadas para democratizar e facilitar o acesso dos pesquisadores aos acervos particulares ou pertencentes a instituições e empresas privadas.
Os temas debatidos no seminário servirão de base para a atuação do CCMJ, uma iniciativa do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro.
Para a presidente do sindicato, Suzana Blass, o evento demonstrou a importância de o CCMJ resguardar também a memória sindical do Rio de Janeiro. “É necessário ouvir e destacar o depoimento de quem participou decisivamente da história da profissão, influenciou suas relações de trabalho e contribuiu para a organização da categoria e a regulamentação profissional”, assinalou. Disse ainda que, pela grandiosidade do projeto, o CCMJ precisa firmar parcerias com instituições dedicadas à memória do Jornalismo.
Para o presidente da FCRB, José Almino de Alencar, seria interessante o CCMJ levantar detalhes da vida pessoal dos jornalistas e as formas que os jornais encontravam para sustentar sua saúde financeira, desde o início da criação da imprensa há 200 anos no Brasil. “Há poucos registros sobre o assunto. Alguns jornalistas morreram na miséria, mas outros sobreviveram e sustentaram famílias. Esta história deve ser resgatada”, sugeriu.
DEPOIMENTOS – O jornalista João Batista de Abreu, professor da UFF, defende que o CCMJ valorize depoimentos sobre o trabalho de jornalistas que tiveram uma marcante trajetória de vida pessoal e profissional, mas cujas biografias não ganham o destaque merecido. Citou como exemplos de vida os jornalistas José Gonçalves Fontes e Araújo Neto.
“O Araújo Neto cobria assuntos de todas as editorias e notabilizou-se como correspondente estrangeiro. Sua casa na Europa era uma espécie de embaixada informal para quem precisasse de ajuda. Morreu credor de um calote de nove meses de salários e nunca é citado entre os jornalistas notáveis, assim como o José Gonçalves Fontes”, criticou.
A importância do acervo histórico da rádio Jornal do Brasil não foi esquecida. O radialista Luís Carlos Saroldi, que trabalhou na emissora, fundada em 1935, disse desconhecer o paradeiro do acervo da rádio. “Esse tesouro sonoro foi retirado da rádio quando ela foi vendida em 1992 e não se sabe onde está”.
A fim de garantir a preservação da produção audiovisual, a legislação de alguns países exige que uma cópia do trabalho realizado por instituição particular seja depositada em determinado arquivo de instituição responsável. No Brasil, o depósito só é obrigatório no caso das publicações impressas. “A legislação deveria ser estendida às cópias de preservação do audiovisual”, defendeu Clóvis Molinari, do Arquivo Nacional e do Recine (Festival de Cinema de Arquivo).
Iniciado às 9h30, o seminário encerrou-se às 19h após o debate de três temas, com a participação ativa do auditório. O tema “História do Jornalismo Brasileiro: o que está em pauta e o que ficou fora dela? Lembranças e esquecimentos na construção da memória” foi debatido por Cícero Sandroni (jornalista e presidente da Academia Brasileira de Letras), Fernando Lattman-Weltman (Cpdoc/FGV), Marialva Barbosa (UFF) e João Batista de Abreu (UFF), com mediação de Lia Calabre (FCRB).
“Depoimentos de jornalistas: questões para uma história oral”, segundo tema debatido, teve como palestrantes Ana Paula Goulart (Memória Globo e UFRJ) e Joëlle Rouchou (FCRB), Alzira Abreu (Cpdoc/FGV) e Carla Siqueira (CCMJ e PUC) foi a mediadora.
Clóvis Molinari (Arquivo Nacional e Recine), Ana Maria Mauad (UFF) e Luís Carlos Saroldi (radialista) falaram sobre o tema “Arquivos: desafios e usos da preservação” e Isabel Lustosa (FCRB) mediou o debate.
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