JORNAL INTERCOM![]()
Jornal semanal da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação![]()
Ano 4, nº 108, São Paulo – SP – Brasil
15 de agosto de 2008![]()
ISSN 1982-372X![]()
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Especial Luiz Beltrão
Seminário na UFPE celebra os 90 anos de Luiz Beltrão
Equipe de cobertura (alunos da graduação/Jornalismo da UFPE): André Simões, Guilherme Carréra, Juliana de Albuquerque, Luísa Ferreira e Sofia Costa Rêgo. Coordenação: Ericka de Sá
Fonte: www.jornalismocontemporaneo.wordpress.com
O seminário 200 anos de imprensa no Brasil, com o tema “O pioneiro das Ciências da Comunicação e dos Estudos e Teorias do Jornalismo no Brasil: 90 anos de Luiz Beltrão”, reuniu alunos de jornalismo, profissionais e pesquisadores para discutir o legado de um dos mais importantes precursores da pesquisa em jornalismo no Brasil. O seminário foi realizado no auditório do Centro de Artes e Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e contou com a parceira da Rede Folkcom, do Jornal do Commercio (PE), da Revista Imprensa e da Intercom.
No dia do evento, Luiz Beltrão, que é natural da cidade de Olinda, completaria 90 anos. Por isso, outros eventos aconteceram nos estados de São Paulo e Paraíba.
Participaram do seminário, no Recife, o jornalista Ivanildo Sampaio, diretor de redação do Jornal do Commercio; Fernando Menezes, contemporâneo de Beltrão; Teresa Halliday, professora e aluna de Beltrão; e Roberto Benjamin, pesquisador da rede Folkcom.
A presidente da Rede Folkcom, Betânia Maciel, foi convidada pelo pesquisador Alfredo Vizeu, coordenador no Grupo de Pesquisa Jornalismo e Contemporaneidade, para expor o trabalho desenvolvido pela organização não governamental que desenvolve trabalhos ligados à Folkcomunicação, teoria desenvolvida por Luiz Beltrão. A professora frisou que a Rede vem atuando no sentido de fortalecer a linha de pesquisa e estimular estudantes e profissionais a pesquisarem sobre o tema.
A primeira a falar foi Tereza Halliday, Ph.D. em Comunicação Pública pela Universidade de Maryland (EUA) e ex-aluna de Beltrão na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), na terceira turma de bacharéis em jornalismo. Ela afirmou que Beltrão é uma das pessoas a quem mais deve na carreira que construiu. “Vocês não sabem o que é exercer a profissão numa época em que se fazia gozação de quem tivesse diploma de jornalismo”, disse a pesquisadora. Ela também relembrou a situação do curso de jornalismo da Unicap no início da década de 1960, fundado e dirigido pelo ex-seminarista Luiz Beltrão, que dizia ter largado a batina por causa de duas paixões: o jornalismo e a esposa. Beltrão fundou um centro de estudos de comunicação, o Instituto de Ciências da Informação (Icinform), que, segundo Tereza, não tinha estrutura organizacional alguma. “Era só o carisma do professor e os alunos trabalhando como voluntários”, descreveu.
Tereza Halliday contou que as anotações de Beltrão para a disciplina Técnica de foram a base do livro “A Imprensa Informativa”. Outro livro de Beltrão, “Iniciação à Filosofia do Jornalismo”, era lido no primeiro ano do curso de jornalismo. “Quem soubesse levar a sério as dicas bibliográficas de Beltrão ampliava seus horizontes”, afirmou. Tereza Halliday lembrou, ainda, uma das frases do professor: “Errar é humano, mas erro de português em jornalista não tem perdão”.
Roberto Benjamin, jornalista, professor-adjunto da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), pesquisador da Rede Folkcom e autor do livro “Itinerário de Luiz Beltrão”, lembrou a importância de Luiz Beltrão para prática jornalística. “Beltrão teve experiências na Folha da Manhã e no Jornal Pequeno. E foi essa vivência no jornal que o fez reprocessar a idéia de Folkcomunicação”.
VISÃO DOS EX-ALUNOS – O diretor de redação do Jornal do Commercio, Ivanildo Sampaio, foi da turma de jornalismo de 1966 da Unicap, onde foi aluno de Luiz Beltrão. Segundo ele, o que mais admirava no professor era a capacidade motivar os alunos. “A memória que eu guardo dele é a de um grande orientador, uma ilustre figura humana. Ele nos dava indicações de leituras que nos provocavam. Mesmo quando se tratava de ficção, os livros que ele mandava ler nos mostravam como conduzir uma entrevista na vida real. Ele fazia com que a gente sentisse sempre a necessidade de buscar uma coisa a mais”, lembrou o jornalista, que começou sua vida profissional na Revista Manchete.
Outro ponto destacado por Sampaio foi a competência de Beltrão na organização da grade curricular do curso de jornalismo da Unicap da época. Para o primeiro Doutor em Comunicação do Brasil, era imprescindível que o jornalista tivesse um embasamento cultural. “Nós tínhamos aula de sociologia, filosofia, literatura brasileira, história e tudo mais. Beltrão dizia que o jornalista tinha que dominar com segurança, pelo menos, seu instrumento de trabalho: a palavra. E foi com isso que ele me abriu muitos caminhos e orientou toda uma geração de profissionais que hoje brilham por aí”.
O jornalista e também Bacharel em Direito e Filosofia Fernando Menezes relatou o curto, mas marcante, contato que teve com Luiz Beltrão. Foi descoberto pelo pesquisador através de seu trabalho no Jornal do Commercio, onde até hoje atua como colunista, quando participava da criação de um caderno que viria a se tornar o atual Caderno C. Menezes fez questão de ressaltar as qualidades visionárias do professor, que foi um dos mais importantes reformuladores da imprensa escrita, trazendo mudanças no fazer jornalístico e acrescentando algo de novo à profissão.
DIPLOMA – Depois das exposições individuais, o público pôde participar de um debate com os palestrantes. A obrigatoriedade do diploma para formação em Jornalismo, defendida por Luiz Beltrão, foi uma das perguntas mais recorrentes.
O diretor de Redação do Jornal do Commercio, Ivanildo Sampaio, disse ser favorável à exigência do diploma, mas acredita que o mercado não deve se restringir a quem tem formação em Jornalismo. “Se eu pudesse ter na redação pessoas talentosas e que não têm diploma em jornalismo, eu teria. Muitos companheiros de redação não eram jornalistas e faziam textos excelentes”.
Já Tereza Lúcia Halliday disse acreditar que no lugar de ressaltar a reserva de mercado a profissionais com formação em jornalismo, a discussão deveria estar centrada na qualidade dos cursos de comunicação.
LEGADO – Outro tema levantado pela platéia foi a dificuldade de acesso aos textos produzidos por Beltrão, especialmente para os alunos de graduação. A pesquisadora Betânia Maciel afirmou que se considera uma discípula do pesquisador e que existe uma linha de pesquisa de Pós-Graduação sobre a Folkcomunicação. “O que é novo assusta todo mundo, porque vai depender de nós para pesquisar e reforçar metodologicamente”, disse ela, lembrando a existência da Revista Internacional de Folkcomunicação.
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