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JORNAL INTERCOM
Jornal semanal da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação

Ano 4, nº 107, São Paulo – SP – Brasil 8 de agosto de 2008
ISSN 1982-372X

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Fórum

Camarões e lulas gigantes no itinerário da China

Daniel Castro (Associação Chinesa do Brasil)

Na atual fase das relações humanas, sociais, políticas e econômicas – sim, essas relações passam por fases –, temos uma conjuntura onde a comunicação, seja ela qual for, está no topo dos processos que movem as novas – ou velhas – estruturas de poder.

Aqui pra nós, a comunicação sempre esteve neste patamar, o que mudam e mudarão são os instrumentos de uso do momento. Por exemplo: agora é a Internet, mas já foi o rádio, o pombo etc.

E não são diferentes na condução dos novos – ou velhos – regimes políticos. Isso vale para capitalistas, comunistas, socialistas ou anarquistas.

A comunicação exerce essa fantástica ilusão que pontes podem ser construídas entre a informação e o entendimento dessa informação. O que se diz aqui no Brasil será o mesmo que se compreenderá na China? Não necessariamente. Independentemente, essas pontes devem ser construídas.

Essa reflexão inicial serve de base para se entender que há, sim, uma imensa ponte comunicacional a ser construída entre estes dois países. O que se traduz, no mínimo, em um grande desafio.

Até porque entender o que se passa fora da China – apesar de poucos pensarem assim – também é um grande desafio para os chineses.

Desafio proposto. Desafio aceito. Assim podemos dizer que a Intercom e instituições chinesas como as Universidades de Pequim e Xangai aceitaram esta jornada histórica, que foi iniciada por uma visita de seus pares brasileiros – já amplamente descrita no livro “Caleidoscópio chinês”, cujo lançamento vai ocorrer na Casa de Beijing, no próximo dia 8/8/2008.

Estamos falando da aproximação de dois gigantes, antes só gigantes, mas que na atual conjuntura exercem, das mais variadas formas e sob influências diversas, papéis poderosos no tabuleiro global – antes dominado por quem todos nós sabemos desde criancinhas.

Como parte deste processo de aproximação, vale lembrar, a comunicação foi uma das últimas pontes a serem pensadas.

Para um bom entendedor de China, claro, os negócios vieram primeiro, depois a informação. Não custa tentar entender porque se encontram tantas pedras no caminho, pois o mapa dos negócios não tinha muito mais que informação das posições a serem seguidas, com a seguinte filosofia adaptada: os homens são de Marte e as mulheres devem ir para lá. Logo, se os negócios são da China é pra lá que se deve ir.

Como pano de fundo deste processo de descobrir o que havia por trás destes gigantes, tanto chineses como brasileiros começam a fazer parte deste novo capítulo.

E a bússola comunicacional indica que não se deve andar por sobre as águas, como fez o apóstolo Pedro. E o que se vê no horizonte pode não ser terra firme. Traduzindo: nem todas as informações que chegaram por aqui, referentes à China, são verdadeiras. E o mesmo vale sobre o que chegou por lá sobre nós – ou melhor – sobre o Brasil.

De posse dessa ressalva, cabe se deixar levar pelo novo que decorre desta aproximação. Sem ser piegas, dá para se conhecer como funciona a comunicação neste universo sino-brasileiro sem pré-julgamentos.

Por isso vejo com naturalidade que essa colaboração pode servir de base para novos desafios. Criar novos referenciais de estruturas de comunicação. E porque não novos pensadores e pesquisadores?

Entre camarões maranhenses surgiu esse desafio de levar uma missão da Intercom à China. Entre lulas chinesas, saboreadas no bairro da Liberdade, em São Paulo, o roteiro e as agendas foram se acertando. Mas os camarões e as lulas foram os petiscos iniciais. Ainda vêm muitos tutus e ovos de mil anos por aí.

A realização de um colóquio na China será outra grande oportunidade de se detalhar que tipo de ponte pode ser erguida. Estamos diante de uma obra monumental. Precisamos de braços e mentes. Eis-me aqui!