JORNAL INTERCOM![]()
Jornal semanal da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação![]()
Ano 4, nº 106, São Paulo – SP – Brasil
04 de agosto de 2008![]()
ISSN 1982-372X![]()
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Fórum
Pernambuco celebra 90 anos Luiz Beltrão
Alfredo Vizeu (UFPB)
O Brasil completa 200 anos de imprensa. O primeiro jornal a circular no País, o Correio Brasiliense, escrito em Londres por Hipólito Costa, patrono do nosso Jornalismo, foi datado no dia 1º de junho de 1808.
Dentro das comemorações, Pernambuco ocupa lugar especial. Um exemplo, o professor, pesquisador e jornalista Luiz Beltrão, pernambucano de Olinda, foi o pioneiro dos estudos e da teoria do jornalismo no Brasil. Suas pesquisas, desenvolvidas sobre o campo do jornalismo, ganham dimensão nacional com o livro Iniciação à Filosofia do Jornalismo, publicado pela editora Agir, do Rio de Janeiro, em 1960.
Beltrão vai além da apresentação de uma metodologia e análise de dados. A investigação, organizada, sistemática, com análises, conclusões e conceitos sobre o jornalismo, permite afirmar que o pesquisador começa toda uma tradição sobre a prática e teoria desse campo.
Num dos seus livros Enseñansa del Periodismo, traduzido para o português, mas ainda inédito, Beltrão mostra a capacidade que tinha de se antecipar ao seu tempo. Nas pesquisas que realizou, ao iniciar o curso de Jornalismo da Universidade Católica de Pernambuco, cumpriu fielmente sua função de professor. Contando com a participação dos alunos, diagnosticou os efeitos da suspensão da circulação dos jornais, durante uma greve dos gráficos.
Realizada em 1963, a investigação foi a primeira do gênero, no Brasil e, provavelmente, também a primeira na América Latina. O estudo mostrou as conseqüências da falta de circulação de notícias sobre a sociedade, durante o período que durou o movimento dos gráficos, de 21 de março da 9 de abril de 1963. A greve afetou os serviços públicos, atingindo o interesse coletivo, porque as ações governamentais, que eram divulgadas nos jornais, deixaram de ser comunicadas.
Beltrão mostra também que a área de diversão foi atingida, resultando numa escassa procura aos cinemas, mesmo com o lançamento, dias antes do término da paralisação, da superprodução Ben-Hur. Com a volta da circulação dos jornais, a pesquisa identificou que, durante as seis semanas de exibição do filme, as sessões estavam sempre lotadas. A investigação mostra ainda que, até mesmo os acontecimentos sociais foram afetados. Festas e homenagens tiveram que ser adiadas em função da baixa assistência.
A investigação de Luiz Beltrão antecipava o conceito de agendamento, que surge na década de 70. As primeiras pesquisas começam a se preocupar com o papel de atuação dos jornais para além de uma ferramenta de persuasão ou modificação de comportamentos. McCombs e Shaw (2000), fundamentam esta hipótese, examinando o papel dos meios na formação e mudança de cognição. Os autores afirmam que o jornalismo funciona como um elo entre os acontecimentos do mundo. Dessa forma, a hierarquia desta agenda a esfera pública.
No próximo dia 8 de agosto, quando o pioneiro dos estudos da comunicação e do Jornalismo completaria 90 anos, o Grupo de Pesquisa Jornalismo e Contemporaneidade, do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFPE, em parceria com a Rede Folkcom, promove o debate da sua obra. O Seminário 200 anos de Imprensa no Brasil tem como tema “ O pioneiro das Ciências da Comunicação e dos Estudos e Teorias do Jornalismo no Brasil: 90 anos de Luiz Beltrão”.
O evento acontece no mini-auditório do Centro de Artes e Comunicação da UFPE e terá participação dos jornalistas Ivanildo Sampaio, diretor de redação do Jornal do Commercio; Fernando Menezes, contemporâneo de Beltrão; Teresa Halliday, professora que foi ex- aluna de Beltrão; Roberto Benjamin, pesquisador da rede Folkcom; e Betânia Maciel, presidente da Rede Folkcom.
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