JORNAL INTERCOM![]()
Jornal semanal da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação![]()
Ano 4, nº 103, São Paulo – SP – Brasil
27 de junho de 2008![]()
ISSN 1982-372X![]()
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Entrevista
Adolpho Queiroz: o futuro da comunicação na Amazônia
Por Éder Rodrigues (Ascom/UFRR)
Para o prof. Dr. Adolpho Queiroz, vice-presidente da Intercom, o Intercom Norte 2008 marcou o começo de um novo pensar sobre a comunicação na Amazônia. “As pessoas vão olhar para Roraima com carinho, respeito e mais seriedade para o que se produz aqui”, disse.
Queiroz, durante a sua passagem pelo Estado de Roraima, deixou clara a importância do evento, parabenizando os promotores e parceiros pelo esforço na realização. O congresso teve a maior estrutura de programação entre as que já foram realizadas este ano: ao todo, houve duas conferências, quatro palestras, 14 mesas-redondas, 28 oficinas, duas dezenas de atividades culturais, exposições de fotografia e audiovisual.
Confira abaixo o bate-papo que o professor teve com a equipe de Jornalismo da Universidade Federal de Roraima.
Jornal Intercom – Como é o seu olhar sobre o progresso da comunicação no Brasil como um todo?
Adolpho Queiroz – A nossa área é um fenômeno que precisa ser estudado para ser explicado. Somos hoje mais de 600 cursos de comunicação espalhado pelo Brasil. São mais de 60 mil estudantes, mais de oito mil professores. Quando imaginávamos que não íamos ter mais espaço, veio o presidente Sarney e ofereceu concessões de rádio e televisão a muita gente. Isso fez com que a área da TV comunitária e das TVs locais explodisse. Então, houve mais um certo desânimo. Mas veio a Internet e revolucionou o processo, abriu muito espaço para trabalhos individuais, trabalhos coletivos. Estamos chegando num outro momento de inovação tecnológica, que é a chegada da TV digital no Brasil, que novamente vai abrir novos espaços, novas perspectivas. Quando a gente fica preocupado e diz: "Ah, estamos formando muita gente na área de comunicação e não há espaço para todo mundo", vem o governo ou um acontecimento mundial que muda tudo e faz a gente continuar acreditando que esta área ainda vai ter muito progresso. Penso que nós caminhamos bastante, evidentemente. Outro dia, conversava com o professor José Marques de Melo, nosso presidente, e dizia que, em 1994, nós fixamos o congresso Nacional da Intercom em Piracicaba e a grande inovação do Congresso – há 14 anos – foi que fizemos os papers pela primeira. Tiramos cópias, fizemos uma capa de cartolina, pusemos uma etiqueta com o nome do paper e vendemos para fazer arrecadar dinheiro, tudo feito de xérox. Hoje, fazemos congressos e oferecemos os trabalhos em CD, ou publicamos em portais. Muita coisa mudou muito o sentido da comunicação. O repertório que a Intercom tem ajudado a construir hoje, no Brasil, é superior há 100 mil documentos. Provavelmente nós ainda estamos no começo da estrada desta modificação em termos de cultura e difusão de conhecimento da nossa área.
JI – Como o senhor avalia os avanços da região norte na área de comunicação?
AQ– Eu vejo com muita esperança. Quando cheguei para a abertura no Intercom Norte, em Roraima, vi o vídeo que os alunos da Federal fizeram e fiquei espantado com a qualidade que é muito próxima da que a gente faz lá em São Paulo. Do ponto de vista técnico não há diferenças de qualidade do que se faz em Roraima para o que se faz em São Paulo. Provavelmente, o que difere seja um pouco a vivência, a experiência, mas a Intercom, especialmente, tem feito um esforço gigantesco no sentido de aproximar este Brasil gigante que nós temos. Estes encontros regionais que estamos fazendo vêm vindo no sentido de aproximar as novas gerações de estudantes, pesquisadores, dirigentes e, especialmente, de alunos. Nós temos feito isso muito em favor dos alunos e certamente a Região Norte que, depois do 7º Congresso, será uma região diferente. As pessoas vão olhar para Roraima com carinho, com respeito, com seriedade para o que se produz aqui e certamente a semente que nós deixarmos, quem sabe daqui há 10, 15, 20 anos, vai virar um árvore forte, frondosa e que o Estado seja ainda mais representativo e tenha muito mais visibilidade no panorama nacional, incentive mais as pesquisas, a iniciação científica, dê espaço a projetos de extensão, faça publicações on line, faça revistas, faça livros. Esta é a esperança que nós da Intercom – da comunidade científica de comunicação – temos com relação a esta cidade e a este Estado.
JI – O que o senhor tem a dizer aos novos acadêmicos e aos candidatos da nova geração que querem ingressar na área da comunicação?
AQ – Quando iniciei o meu curso de comunicação, em 1977, o panorama era muito diferente. Nós só tínhamos espaço para trabalhar em jornais, emissoras de rádio e algumas agências de publicidade que engatinhavam. Hoje, não. Temos uma possibilidade de trabalho muito grande. Temos muitas universidades. Precisamos de gente não só para estudar, mais para pesquisar para vir a ser professor, para continuar fazendo pesquisas na nossa área. Acho que o campo tem um espaço infinito para ser ampliado e as pessoas que vieram com determinação, com talento para esta área, certamente serão bem sucedidas porque este campo da comunicação, do entretenimento é um campo de muito futuro.
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