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JORNAL INTERCOM
Jornal semanal da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação

Ano 4, nº 101, São Paulo – SP – Brasil 13 de junho de 2008
ISSN 1982-372X

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Entrevista

Marialva Barbosa: resultados do Intercom Nordeste

Na semana passada, a profa. Marialva Barbosa (UFF) esteve em São Luís (MA), no 10º Congresso de Ciências da Comunicação na Região Nordeste. Entre as atividades das quais participou, destaca-se uma mesa-redonda, formada por ela, pelo prof. José Marques de Melo (Intercom) e pelo prof. Carlos Franciscato (SBPJor), na qual discutiram as perspectivas da produção científica da área no Nordeste. O resultado foi positivo.

Marialva Barbosa demonstra satisfação ao falar do congresso regional e afirma que um dos pontos mais positivos do evento é a intensa participação dos alunos da graduação. Para ela, isso é sinal de que o campo pode prosperar.

Jornal Intercom – Qual foi o saldo do painel sobre perspectivas da produção científica na região Nordeste?

Marialva Barbosa – A apresentação de quase 400 trabalhos no Intercom Nordeste, tanto na modalidade aberta aos alunos de graduação (iniciação científica), como para mestrandos e doutorandos, deixou patente o desenvolvimento das pesquisas em comunicação na Região, que foi pioneira na abertura dos cursos de comunicação no país. A criação de novos mestrados e doutorados na região (além da Universidade Federal da Bahia, o pioneiro, e da Universidade Federal de Pernambuco, que criou recentemente o nível doutorado, a Capes autorizou o funcionamento de dois novos mestrados: na Universidade Federal da Paraíba e na Universidade Federal do Ceará) leva naturalmente ao incremento das pesquisas na área. A produção científica da região mostra o desenvolvimento de pesquisas que refletem sobre a complexidade da questão comunicacional na contemporaneidade.

JI – Que a avaliação a senhora faz especificamente da produção científica em história da mídia na região?

MB – Recentemente, quando realizamos, em Niterói, o 6º Congresso Nacional de História da Mídia, foram apresentados 482 trabalhos de todas as regiões do país, com uma participação expressiva dos pesquisadores da Região Nordeste. Apresentaram trabalhos pesquisadores do Maranhão, do Piauí, do Ceará, do Rio Grande do Norte, da Paraíba, de Pernambuco, de Alagoas, de Sergipe e da Bahia, ou seja, de todos os estados do Nordeste. Além disso, há núcleos regionais atuantes de pesquisadores de História da Mídia, institucionalizados, no Maranhão (Alcar Maranhão), com a participação de Roseana Pereira e Edvania Kátia, além de outros pesquisadores, no Piauí, com a participação de Ana Cristina Rego – que recentemente lançou em livro suas pesquisas sobre o tema –, no Rio Grande do Norte, em Pernambuco e no Ceará, onde será realizado o próximo Congresso da Associação Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia (ALCAR).

JI ­–Como estava a movimentação nos eventos Iniciacom e Expocom? O que pôde perceber da participação dos alunos da graduação?

MB – Com sempre extremamente animada e reveladora dos caminhos das pesquisas em comunicação, que serão conduzidas pelos hoje jovens alunos de graduação. Havia alunos de praticamente todos os estados, com destaque para os do próprio Maranhão, do Piauí (onde será realizado o Intercom Nordeste no próximo ano), do RGN (onde será realizado o Intercom Nacional em setembro) e do Ceará. Houve uma participação expressiva dos alunos tanto na Expocom, em muitas categorias, como também no Iniciacom.

JI ­– Em sua opinião, que contribuições o Intercom Nordeste 2008 ofereceu à comunidade acadêmica da comunicação?

MB – A possibilidade de troca entre os pesquisadores, que assim podem constituir redes regionais de pesquisa, contribuindo para o desenvolvimento das pesquisas na área de comunicação. O fato de os congressos regionais terem predominantemente alunos de graduação também é um fato altamente positivo. Temos que incentivar a participação dos graduandos, pois, caso contrário, a pesquisa fenece. Só pode haver desenvolvimento científico em qualquer área se pensarmos que realizamos pesquisas num “reino dos sucessores”, como metaforicamente podemos conceituar. Nenhuma de nossas pesquisas tem valor e continuidade se não houver outros que continuem os nossos caminhos. Só assim, uma área de pesquisa se torna madura e vencedora.