JORNAL INTERCOM![]()
Jornal semanal da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação![]()
Ano 3, nº 80, São Paulo – SP – Brasil
23 de novembro de 2007![]()
ISSN 1982-372X![]()
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Fórum
Fernando Perrone: um só homem, múltiplas imagens
1. Cidadão do mundo
Manuel Parés i Maicas (Espanha)
Escribo con tristeza estas líneas dedicadas a mi viejo amigo Fernando Perrone. Le conocí el 1976 en Leicester, en el marco del Congreso de la International Association for Media and Commnication Research (IAMCR) e inmediatamente simpatizamos, ya que descubrimos tener muchos puntos de conctacto, académicos e ideológicos. En nuestra larga relación siempre hemos contado con la presencia de nuestro amigo José Marques de Melo, quien, a su vez, fue siempre un autentico y leal amigo suyo. Durante su enfermedad, José estuvo siempre a su lado.
Recuerdo que hicimos juntos varias excursiones en ocasión del Congreso de la IAMCR que tuvo lugar en New Delhi en 1984, con mi primera esposa Estrella Casas i Costa, y también con Janet Wasko. Posteriormente, hasta que cayó enfermo nos vimos en otros congresos de la Asociación, lo cual quiere decir que inicialmente, mis contactos con él tuvieron lugar en relación con dicha Asociación.
Posteriormente, gracias a las invitaciones académicas de José Marques de Melo comencé a visitar el Brasil, en especial Sao Paulo y siempre me reunía con él o participábamos juntos en iniciativas académicas. Ya enfermo, en mis visitas a Sao Paulo le visitaba en su casa, normalmente con colegas y en una ocasión con mi primera esposa, y luego también con la actual, Maria Rosa Charles. Departíamos largamente, ya que era un placer estar y conversar con él, a pesar de su terrible enfermidad, ya que era un hombre muy agradable, simpático y con sentido del humor.
Fue el presidente del Comité organizador del Congreso de la IAMCR que se celebró en Guaruja en 1992, que fue un éxito en todos los sentidos por su organización, la calidad y número de los asistentes y por las aportaciones
Me consta que era un buen profesor y académico, lo que simultaneaba con el periodismo y con la política. El periodismo era una actividad que le apasionaba. Durante la dictadura militar se vió obligado a exiliarse en Lisboa y en Paris, donde gestionó una librería junto con Mario Soares, del que era muy amigo.
Fernando Perrone fue una persona singular por la variedad de sus intereses y por el encanto que emanaba de su persona. Lamentablemente, en los años de su enfermedad mis contactos con él se limitaron a mis visitas a Sao Paulo, y alli siempre coincidía con su esposa Paula, que le asistió en todo momento.
Es posible que esta nota adolezca de alguna imprecisión, por la que pido perdón, pero el tiempo transcurrido y la distancia entre Barcelona y Sao Paulo puede tener algún efecto perturbador.
Quiero terminar afirmando que siempre he considerado que Perrone era uno de mis amigos brasileños más apreciados y sugiero que debería ser recordado de alguna forma. Por ejemplo, ya que era un periodista conspicuo, podria crearse, en el marco de una asociación como Intercom, un premio a la enseñanza del periodismo político o crear la beca Fernando Perrone para periodistas jóvenes que hicieran periodismo político, con objeto de conjugar dos de sus grandes preocupaciones: el periodismo y la política
Descanse en paz mi entrañable amigo Fernando Perrone, cuyo recuerdo siempre estará presente en mi.
2. Exilado solidário
Alberto Arons de Carvalho (Portugal)
Através do Jornal da Rede Alcar, que recebo por email periodicamente, tomei conhecimento da morte do Fernando Perrone e da homenagem que amigos e admiradores fazem questão de lhe prestar .
A milhares de quilómetros de distância de São Paulo, quero associar-me a essa homenagem, recordando que o Fernando Perrone sempre teve aqui em Portugal vários amigos que tanto apreciavam o seu bom humor, a sua vivacidade e bonomia, a sua vasta cultura e mais do que isso tudo, o que já não era pouco, a sua fraterna amizade.
Conheci Fernando Perrone através do meu pai, que tanto gostava dele e dos seus amigos de São Paulo!
Depois da morte do meu pai, em Junho de 1980, mantive sempre o contacto com o Fernando. Sempre que ele passava por Portugal, em estadias mais longas ou mais curtas em que ficava hospedado no mesmo hotel na rua Castilho, no centro de Lisboa, nunca deixámos de conviver, muitas vezes em prolongados almoços. Passávamos em revista, os acontecimentos da vida política portuguesa, que nos anos 80 e também 90 manteve ainda um pouco da agitação pós-revolucionária que tanto apaixonou o Fernando.
Ajudei-o no que pude na recolha de documentação para a tese para concurso público para a obtenção do Título de Professor Livre-Docente no Departamento de Comunicações e Artes da USP, que entregou em 1994, sobre a “Luta pelo controle da Comunicação Social em Portugal – 1984-1993”. Mesmo discordando de grande parte das conclusões, não posso deixar de dizer que este trabalho reflecte bem afinal o espírito generoso e solidário do seu autor.
Guardo igualmente na minha pequena biblioteca de estudos sobre comunicação a sua tese de doutoramento sobre a imagem do Chile na imprensa de Paris, que ele dedicou a Salvador Allende.
Num Verão do início dos anos 90, em ano que não posso precisar, visitei-o a si e à sua família em São Paulo. O Fernando fez então questão de reunir em sua casa alguns dos melhores amigos do meu pai e de lhe prestar uma comovente homenagem.
O Fernando era assim: sensível, fraterno, amigo do seu amigo!
Obrigado por tudo, Fernando! Até sempre!
Lisboa, 10 de Novembro de 2007
3. Professor entusiasmado
Liana Gottlieb - Facasper / Brasil
Infelizmente não poderei comparecer à homenagem ao professor Perrone, pois tenho aula todas as segundas-feiras, mas como o senhor abriu a possibilidade de me manifestar, quero falar algumas palavras, demonstrando alguns frutos do trabalho do professor Perrone como professor na ECA/USP:
Tive a honra de ter sido aluna do professor Perrone no doutorado, numa disciplina muito interessante e, a meu ver, necessária em todos os cursos de Comunicação, tanto no âmbito da graduação quanto da pós-graduação. Trata-se de: Implantação e Consolidação de Sistemas de Comunicação.
A monografia para a conclusão da disciplina consistia na escolha de um país, e na pesquisa sobre a implantação e consolidação de seu sistema de comunicação.
Eu sabia, por ter lido algumas referências, que o sistema de comunicação de Israel havia se iniciado com um foco totalmente diferente dos outros países, ou seja, era voltado para as crianças, contendo, no caso da TV, alguns horários para adultos, e não tinha propagandas a não ser as educativas. Ocorre que eu não conhecia ninguém em Israel que pudesse me ajudar. Foi aí que o professor Perrone, gentil, acolhedor e generoso me deu a indicação do nosso amigo comum, Dov Shinar. Afora a monografia, escrevi depois, em parceria com o Dov, um artigo para a revista Líbero, que foi brilhantemente ilustrado pelo Spacca.
Como professor ele era entusiasmado e contagiava os alunos, fazendo com que nos apaixonássemos pelo conteúdo da disciplina.
Aprendi muito com ele, em termos de conteúdo e como professor. Além das características que já descrevi, o professor Perrone tinha outra que considero da maior importância: dava liberdade aos alunos para desenvolverem suas pesquisas, mas ficava atento e à disposição para tirar dúvidas, ajudar, orientar, e tudo de forma muito tranqüila, e solícita, sem o terrorismo comum a muitos professores. Em suma, fazia com que os alunos tivessem prazer em aprender e pesquisar para escrever a monografia. Ele era agradável e suas aulas também eram agradáveis e produtivas.
Sob sua influência venho estimulando meus orientandos a desenvolverem pesquisas sobre o sistema de comunicação de suas cidades. Assim ocorreu com Araçatuba, com um orientando do mestrado (Fernando Sávio) na Cásper Líbero (o primeiro curso), com cujo trabalho muitas pessoas de toda a cidade se envolveram. Sávio descobriu, entre outras coisas, em sua pesquisa, que quando o primeiro jornal de Araçatuba foi criado, substituiu os tiroteios e assassinatos por qualquer tipo de discórdia. Os conflitantes passaram a se degladiar por meio de artigos no jornal.
Outro exemplo foi com uma turma de um curso de pós-graduação que dei em Ituiutaba, Minas Gerais. Embora ministrasse Didática do Ensino Superior em Comunicação, promovi um trabalho interdisciplinar com a disciplina Metodologia da Pesquisa Científica. A cidade fazia aniversário e eu sugeri que eles fizessem uma ampla pesquisa levantando a Implantação e a Consolidação do Sistema de Comunicação de Ituiutaba. A turma se dividiu em grupos e mapearam no espaço e no tempo toda a história da Comunicação da cidade. Foi um trabalho tão bom que resultou numa revista especial em homenagem à cidade.
Sugiro que a Intercom abra um Capítulo Fernando Perrone, destinado a pesquisar e arquivar as pesquisas já feitas sobre o sistema de comunicação brasileiro. Talvez assim possamos resgatar e salvar um pouco a memória da Comunicação no Brasil. O senhor vem batalhando nessa linha, mas precisamos juntar mais forças e reunir as pesquisas já feitas.
Deixo, aqui, meus sentimentos à família, e manifesto novamente a honra de ter sido aluna do professor Perrone.
4. Político sonhador, repórter antenado
José Carlos Bittencourt (São Paulo)
“A coisa mais importante que você pode ter é uma mente aberta”. (G. Rubin Bereny)
No começo da semana o país ficou intelectualmente mais pobre: morreu o docente aposentado da ECA-USP, o ex-deputado Fernando Leite Perrone, eleito pelo antigo MDB em 1966, com apoio de jovens lideranças universitárias como o então presidente da UNE, José Dirceu. O mandato de Perrone na Assembléia de SP foi curto: quase dois anos, de março de 1967 a 13 de dezembro de 1968, a fatídica sexta-feira em que foi editado o AI-5, jogando o país em definitivo nas trevas que duraram 21 anos longos anos, até 1985. O obscurantismo teve início em 1º. de abril de 1964 com o golpe que depôs Jango da Presidência.
Na época, eu era um jovem repórter político de 21 anos e Perrone, poucos anos mais velho, um dos mais jovens deputados: chegou à Assembléia com a disposição de opor-se ao regime militar. Sonhava com um novo país, democrático e socialmente justo, onde cada um tivesse oportunidade de exercer seu trabalho e cultivar seu talento. Buscava-se “o novo homem socialista”. Havia a promessa de um socialismo “desestalinizado”, aprovado pelo XX Congresso do PCURSS de 1956 que, no entanto, não encontrava apoio nos antigos dirigentes que viviam - como chamou Jean Paul Sartre - sob “o fantasma de Stalin”.
No ano seguinte, em 5 de abril de 1968, o ideal começou a tomar forma. Na Tchecoslováquia, nascia a “Primavera de Praga”. Era o desabrochar da democracia atrás da Cortina de Ferro, que dividia o mundo em dois. Imprensa livre, Judiciário independente, tolerância religiosa, direitos civis assegurados. Em agosto, Perrone decidiu ver ao vivo a experiência liderada por Alexander Dubcec. Consegui intermediar com o então diretor da Folha da Tarde, Miranda Jordão, o fornecimento de uma credencial de enviado especial. Perrone enviava despachos de Praga, onde era o único jornalista brasileiro. A população estava extasiada com a nova experiência democrática.
No dia 20, o sonho acabou. Sete mil tanques da URSS invadiram o país. Multidões repeliam as invasões a pedras, eram sumariamente abatidas. O banho de sangue lembrava aos tchecos a invasão nazista de 1939. Do outro lado do muro, em 13 de dezembro, o marechal Costa e Silva, editava no Brasil o AI-5, o mais duro golpe do regime militar: conferia aos governantes poderes de exceção. Valia tudo para quem fosse considerado adversário. Na noite seguinte, tropas do Exército invadiram e saquearam a casa de Perrone em SP, que conseguiu atravessar a fronteira, exilou-se no Chile, depois na França. Seu maior crime? Entronizara no gabinete na Assembléia o retrato de “Che” Guevara. E defendia a redemocratização.
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