JORNAL INTERCOM![]()
Jornal semanal da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação![]()
Ano 3, nº. 74, São Paulo – SP – Brasil
05 de outubro de 2007![]()
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Acontece
Em debate, a editoração eletrônica de trabalhos científicos
Fonte: Agência UEL
A professora Sueli Mara Soares Pinto Ferreira, do Departamento de Ciência da Informação da Escola de Comunicação e Artes (ECA) da USP, esteve na UEL, na última sexta-feira, conversando com professores de programas de pós-graduação stricto sensu a respeito da editoração eletrônica de revistas, tema que ela domina profundamente.

Sueli Mara Ferreira atua no programa de pós-graduação em Ciência da Informação da USP, mas trabalha com pesquisa em comunicação. Além disso, ela é diretora de documentação da Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação –, função na qual desenvolve uma série de projetos para um portal chamado Portcom, que é a rede de informação em ciências da comunicação dos países de língua portuguesa (www.portcom.intercom.org.br). O Portcom reúne, num único site, numa única estrutura, 27 revistas eletrônicas de programas de pós-graduação em comunicação do Brasil e de Portugal.
Foi para trocar idéias sobre editoração eletrônica que Sueli Mara veio a Londrina, convidada pelo professor Paulo César Boni, coordenador do Mestrado em Comunicação Visual/Fotografia, e se encontrou com uma dezena de professores de outros programas de pós-graduação também interessados em desenvolver revistas eletrônicas para a publicação da produção científica.
A experiência que a professora transmitiu foi mais um passo para que a UEL venha a adotar um sistema de editoração eletrônica que permita colocar à disposição do público, de forma gratuita, a produção acadêmica de seus cursos de pós-graduação, segundo a diretora de pós-graduação da PROPPG, Vera Suguihiro.
A professora Sueli Mara disse ter todo interesse em motivar os colegas da UEL a implementar um portal de revistas próprio, usando os softwares que se encontram no mercado. “Eu tento trazer a consciência da necessidade de montar revistas eletrônicas dentro de uma estrutura de gerenciamento de publicação eletrônica adequado, com normalização, com padronização, que fale com o resto do mundo”, disse.
Outro tema para o qual a professora gosta de discorrer é um movimento de ordem mundial, chamado Open Acess, de reação ao grande controle que as editoras comerciais têm sobre as revistas científicas em todas as áreas do conhecimento. É uma discussão que começou com cientistas europeus, reunidos em Budapeste, em 2002, e que ainda está engatinhando no Brasil. Ela explica: “Veja como se dá a produção científica. O nosso trabalho é financiado com dinheiro público, mas nós somos mais valorizados como pesquisadores se publicamos em revistas no exterior. E essas revistas são caras, nós pagamos para publicar nelas, ao publicar doamos os direitos autorais para elas, e depois compramos as revistas para as nossas bibliotecas para poder acessar a nossa própria produção!”
É essa sucessão de distorções que o Open Acess quer mudar. “O mundo inteiro está estudando as possibilidades oferecidas pela tecnologia para fugir dessas arbitrariedades. Como podemos montar uma estratégia em que os editores dividam o bolo conosco, em que a UEL, por exemplo, possa ter controle e acesso a toda a produção do seu corpo docente na própria instituição?”
Na Europa já se encontrou uma resposta para essa pergunta: as agências de fomento, ao financiar o projeto, exigem que o pesquisador assine um compromisso segundo o qual o resultado da pesquisa feita com dinheiro público vai ficar com acesso aberto, gratuito e público, em pelo menos um repositório institucional. “Isso, independente da revista em que ele vai publicar, que pode ser qualquer uma. Aí a gente vai para o outro lado: o cientista tem que começar a brigar com as revistas, né...”, completa a professora.
Segundo ela, no Brasil já existe uma iniciativa de um projeto de lei para que todas as universidades tenham que implementar repositórios de trabalhos científicos, que as agências de fomento venham a exigir o mesmo que as européias.
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