JORNAL INTERCOM![]()
Jornal semanal da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação![]()
Ano 3, nº. 72, São Paulo – SP – Brasil
21 de setembro de 2007![]()
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Acontece
Obra de Janete Clair é transformada em romance
Transformada em romance por Mauro Alencar, a novela Selva de pedra, de Janete Clair, é uma das mais importantes e marcantes realizações da dramaturgia da TV Globo e da telenovela mundial
A Globo Marcas e a Editora Globo relançam, em formato de romance, Selva de Pedra, de Janete Clair, um dos mais marcantes tele-dramas da história das novelas da TV Globo. Escrita em 1972, por Janete Clair, a novela foi novamente levada ao ar em 1986, confirmando o interesse do público pela elaborada trama imaginada por sua autora. Agora, ela ressurge em outro formato, romanceada 35 anos depois por Mauro Alencar, especialista em telenovelas no Brasil. O sucesso de Selva de pedra se deve a muitos fatores. Dentre eles, o registro de uma época importante para o Brasil e a construção de personagens que marcaram profundamente o público.
Cristiano Vilhena (Francisco Cuoco) cresceu à sombra dos limites impostos pela religião exercida por seu pai, Sebastião (Mário Lago). Porém, sua ambição e sua revolta buscavam coisas que o fanatismo de Sebastião impedia. A morte de um rapaz, com quem Cristiano estava discutindo, força-o a fugir para o Rio de Janeiro. Fuga esta que o faz tomar contato com seu tio, o poderoso Aristides Vilhena (Gilberto Martinho), que oferece ao pobre rapaz do interior a possibilidade de galgar os primeiros degraus de uma difícil e vertiginosa escalada. A partir deste momento, sua ascensão será permeada por duas belas e interessantes mulheres, a escultora Simone Marques (Regina Duarte) e Fernanda (Dina Sfat), e entrelaçada a outros personagens que também buscam o lugar ao sol, como Miro (Carlos Vereza), Caio (Carlos Eduardo Dolabella) e Jorge (Edney Giovenazzi). Quanto mais se aproxima do sucesso sonhado, da realização material, menos Cristiano é humano. Passa a ser a explicação exata de uma escultura da famosa Simone Marques.

A crítica
Alguns elementos justificam o êxito de Selva de Pedra independentes de produção televisiva. Dois deles são essenciais, pois relacionados com as emoções básicas da psicologia humana: o da busca do amor e o da necessidade de prestígio, no caso da novela, identificada com o desejo da ascensão social. Em torno desses dois dínamos, Janete Clair atingiu elementos comuns ao universo conceitual do grande público, conseguindo refletir conflitos nascidos da fundamental e grande frustração das pessoas: a permanente luta entre seu nível de aspiração e seu nível de possibilidades. (...).
Tal magnetismo deriva de outra de suas características, justamente aquela na qual Janete Clair é mestra: enorme mobilidade e variedade na ação. Emoções básicas, mais atualidade, mais analise sócio-psicológica, mais ação, mais atores altamente identificados com figuras idealizadas, somam um total que representa, justifica e explica o enorme êxito da novela. (Artur da Távola, O Globo, 15 jan. 1973)
A autora
Janete Clair situa-se entre os mais importantes autores de telenovela no Brasil. Iniciou sua carreira como radioatriz na Rádio Tupi Difusora de São Paulo, em 1944. Trabalhou em outras emissoras de rádio entre 1948 e 1966. Em 1964, iniciou sua carreira de novelista de televisão com o texto O acusador, na TV Tupi do Rio de Janeiro. Contratada em 1967 pela TV Globo, escreveu diversas telenovelas durante os anos 70, dentre diversos sucessos, como Irmãos Coragem, O semideus, Fogo sobre terra, Bravo!, Pecado capital, Duas vidas, O astro Pai herói, Coração alado, Sétimo sentido e Eu prometo. É extensa sua influência na história das telenovelas brasileiras, particularmente pela abordagem da realidade da população das grandes cidades brasileiras e pela delicada construção psicológica de seus personagens. Janete Clair faleceu em 16 de novembro de 1983.
O adaptador
Mauro Alencar, autor do livro A Hollywood Brasileira - Panorama da Telenovela no Brasil, é mestre e doutor em Teledramaturgia Brasileira e Latino-Americana pela Universidade de São Paulo. Descobriu sua paixão pela tele-ficção muito cedo, ainda criança, quando assistia fascinado ao seriado Perdidos no Espaço e às novelas de Janete Clair, Dias Gomes, Ivani Ribeiro, Bráulio Pedroso, Jorge Andrade, Vicente Sesso, Walter Negrão, Lauro César Muniz, Walter George Durst, Cassiano Gabus Mendes, entre outros. Aos dez anos, assiste a primeira versão de Selva de Pedra, o que o marcará profundamente. De tão forte que é sua admiração pelo gênero, acabou transformando o seu amor pela televisão em seu metier. Tem, com certeza, o maior acervo sobre a telenovela, incluindo muitas horas de capítulos, trilhas sonoras e várias páginas de textos e roteiros. Trabalha há 15 anos na Rede Globo como consultor e pesquisador, além de ser professor de Teledramaturgia da casa. Colaborou em livros que abordam o universo da telenovela, como o Memória da Telenovela Brasileira, de Ismael Fernandes, e o Dicionário da TV Globo, e, com freqüência, escreve artigos sobre o tema em jornais e revistas sendo, inclusive, considerado pela Veja como o maior especialista em telenovelas no Brasil. Em seus trabalhos com a telenovela conheceu emissoras como a Televisa (México), Telemundo (Miami) e o ICRT (Cuba), além de ter prestado assessoria para as maiores emissoras de TV do Chile. É membro da Intercom e da Alaic.
Janete Clair é homenageada em congresso internacional
Por meio de Alencar, Janete Clair será homenageada com a palestra "A Universalidade na Telenovela de Janete Clair", no V Congresso Mundial da Indústria da Telenovela e Ficção que será realizado em outubro, na Espanha. A palestra terá como tema a carreira da grande novelista na Globo, com especial destaque para Selva de Pedra (1972/73), que acaba de ganhar uma adaptação literária feita por Mauro Alencar em comemoração aos 35 anos da novela.
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