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JORNAL INTERCOM
Jornal semanal da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação

Ano 3, nº. 72, São Paulo – SP – Brasil 21 de setembro de 2007

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Prêmio Câmara Cascudo de Folkcomunicação

2008 figura no calendário histórico nacional como ano fértil em celebrações. Há dois séculos o Brasil deixa de ser colônia, para se converter em sede da Monarquia lusitana. Essa brusca alteração significa a abertura da nossa porta de entrada na civilização ocidental. Com a Família Real Portuguesa aqui aportam imprensa, bibliotecas, escolas e tantos outros equipamentos culturais que nos foram sonegados pela truculência colonial.

Mais recentemente, ocorreram em território nordestino acontecimentos que conquistaram espaço nessa cartografia comemorativa.

Há 110 anos Natal testemunhava o nascimento daquele que seria considerado o cientista maior da Cultura Popular, Luis da Câmara Cascudo. Há 50 anos, seria inaugurada a em território potiguar a Universidade Federal do Rio Grande do Norte, instituição sonhada pelo mestre Cascudo e seus companheiros de geração. Não muito distante, em plagas pernambucanas, nascia há 90 anos aquele que ousaria criar uma nova disciplina – Folkcomunicação – justamente na fronteira da Comunicação Massiva com a Cultura Popular.

Esse novo campo do saber mereceu acolhida entusiástica do Mestre Potiguar, que incentivou o neófito pernambucano a ousar intelectualmente, como lhe era peculiar. Esse reconhecimento estava respaldado pela cordialidade acadêmica que se estabeleceu entre os dois pioneiros, durante o tempo recente em que o jovem Beltrão ajudara a fundar a Escola de Jornalismo Eloy de Souza, abençoada pelo jornalista Cascudo, cuja tarimba de repórter contribuíra para suas observações de campo, fisgando temas e personagens da cultura que se fortalece nos grotões deste vasto país.

Como se vê, o espaço que cimentou a interação entre Beltrão e Cascudo foi o campus universitário, para onde migrou a Escola Eloy de Souza, percorrendo o itinerário descortinado pelas escolas isoladas que em meados do século passado haviam constituído a UFRN.
Enquanto disciplina científica, a Folkcomunicação floresceu em terras pernambucanas, mas foi nutrida pela seiva autenticamente potiguar, não apenas porque Cascudo dá o seu aval ao novo campo de estudos, mas principalmente porque ele próprio se converte em praticante da mesma espécie de investigação cultural. Basta observar a natureza da obra de Câmara Cascudo no pós-67, ano de batismo da Folkcomunicação, para perceber que seus objetos de estudos estão evidentemente inseridos no território delimitado por Luiz Beltrão.

O Prêmio Câmara Cascudo de Folkcomunicação será promovido pela Rede FOLKCOM, contando com o apoio da INTERCOM, UFRN e Cátedra UNESCO/Metodista. É parte da programação do XXXI Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação. Tema : Incursões de Câmara Cascudo pelo território folkcomunicacional. Coordenadora: Profa. Dra. Maria Érica Oliveira Lima (UFRN). Informações: merical@uol.combr