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JORNAL INTERCOM
Jornal semanal da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação

Ano 3, nº. 70, São Paulo – SP – Brasil 06 de setembro de 2007

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Memória

Hoje sou um pernambucano-gaúcho, um brasileiro *

Por Alfredo Vizeu

Na pessoa do presidente da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom), professor José Marques de Melo, saúdo a mesa e cada um dos presentes no Congresso dos 30 anos da Intercom. É uma honra receber o prêmio de liderança emergente neste ano de tantas coincidências.

Lembro brevemente que o professor e jornalista Luiz Beltrão, pernambucano de Olinda, foi o pioneiro da pesquisa científica sobre os estudos comunicacionais na universidade brasileira. É, sem dúvida, também o pioneiro dos estudos e das teorias do jornalismo no Brasil. Foi também o editor da primeira revista brasileira de ciências da comunicação e ainda o primeiro doutor na área no Brasil. Como professor do Departamento de Comunicação Social da UFPE sinto-me honrado em receber o prêmio que homenageia este ilustre pernambucano.

Prêmio que me toca de uma forma mais forte porque instituído em 1997, foi entregue pela primeira vez pela Intercom , no Recife, em Pernambuco em 1998. 2007, ano de coincidências. A Intercom também homenageia este ano outra grande personalidade de pernambuco, Barbosa Lima Sobrinho. Acadêmico, político e jornalista conhecido pela sua defesa intransigente do Jornalismo, da Ética e da Democracia, com certeza dispensa maiores comentários.

Tenho bem claro – e não poderia ser diferente – nas atividades que desenvolvi e desenvolvo estou muito longe de realizar o que essas grandes personalidades pernambucanas e brasileiras fizeram. Mas, tomo a liberdade dizer que me sinto muito feliz em estar morando, vivendo e trabalhando, com todo o carinho e dedicação por um mundo mais feliz, na terra de Luiz Beltrão e Barbosa Lima Sobrinho.

Pensei e repensei, escrevi e reescrevi esse discurso várias vezes desde que fui comunicado da conquista do prêmio de liderança emergente. Refleti não uma nem duas vezes para poder dizer algo particular, algo diferente neste momento que ficasse como uma reflexão na memória, no pensamento de cada um de vocês.

Aí me vem logo ao pensamento algo que tenho defendido desde que comecei a trabalhar como Jornalista no final da década de 70, e dar meus primeiro passos como professor e pesquisador no começo dos anos noventa. Nenhum prêmio por mais que nos envaideça é conseqüência de um trabalho individual.

Como jornalista, professor e pesquisador sempre tive bem claro e procuro ensinar isso aos meus alunos e alunas que o nosso trabalho nunca é algo solitário. É resultado de vários corações e mentes que de uma forma ou de outra contribuem para a nossa caminhada, mais do que isso para a caminhada de um mundo melhor.

É a cada um desses coletivos que vêm contribuindo para o meu crescimento que presto meu agradecimento particular. O reconhecimento e os prêmios só fazem sentido dentro deles.

A Jô, Pedro e João muito obrigado pelo simples fato de existirem. Desculpem-me as ausências ao longo da atividade de jornalista e hoje como professor e pesquisador. Se não fosse a compreensão, o carinho e a cumplicidade de vocês nada disso seria possível.

A Rede Folkcom, a sua presidenta, colega e amiga Betânia Maciel, muito obrigado, mas muito obrigado mesmo pela indicação ao prêmio Beltrão que acabou virando uma realidade. Agradeço a confiança e, sem dúvida, compartilho com vocês essa conquista. Conquista que não é só minha, mas de todos nós.

A Intercom , tomo a liberdade de mais uma vez saudar ao professor Marques de Melo. Nos últimos anos tenho o privilégio de ter um contato mais direto com o professor. Admiro demais a sua capacidade em trabalhar com o outro, em respeitar a diversidade e a diferença, agradeço demais pelo apoio e pelo diálogo. O agradecimento ao professor Marques de Melo é com certeza extensivo aos demais colegas da Intercom.

Também não posso deixar de manifestar aqui meu agradecimento público à Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação. Como coordenador do GT de Estudos de Jornalismo da Compós sou testemunha do esforço das diversas direções da entidade em contribuir de uma forma decisiva para o avanço e a produção de conhecimento no campo da comunicação.

Ah! Os coletivos, só consigo viver a experiência e o prazer de ganhar esse prêmio dentro deles. Sou resultado deles. Não posso deixar de lembrar o meu querido Pernambuco, com certeza não esqueço minhas raízes gaúchas. Hoje sou um pernambucano-gaúcho, um brasileiro. Quanto mais local me sinto, mais global sou. Um mundo, muitas vozes.

Mas, ia falando de Pernambuco. Não posso deixar de agradecer ao Fórum das Escolas de Comunicação do Estado, que sob a presidência da professora, colega e amiga Maria Luíza Nóbrega, que vem realizando uma importante discussão sobre as questões da comunicação que atingem ao nordeste e norte do País.

Um agradecimento particular ao Departamento de Comunicação da UFPE que me recebeu com tanto carinho há sete anos. Sem nenhuma demagogia, quem me conhece mais de perto, mais próximo, sabe que não sou dado ao elogio fácil; mas permitam-me o abuso, o prêmio Luiz Beltrão é do nosso Departamento. Se é possível dizer, de uma forma mais especial ainda, do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco do qual tenho a honra e o orgulho de ser vice-coordenador.

Por fim, a professora Maria Cristina Gobbi, coordenadora do Prêmio Beltrão, disse que tinha dez minutos para falar, não vou usar esse tempo, mas de uma maneira extremamente particular agradeço a Sociedade Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor) que junto com outros colegas e amigos ajudamos a fundar e com as demais entidades da área vêm dando uma grande contribuição para a consolidação do campo do Jornalismo.

Obrigado professor, colega e amigo Elias Machado, presidente da SBPjor, não só por presidir essa entidade de uma forma séria e competente, mas pela apoio que me deu e vem dando a minha trajetória acadêmica.

Com certeza esqueci de muita gente, muitos coletivos, mas sintam-se também lembrados e homenageados. Não poderia deixar de encerrar essa breve fala sem agradecer ao professor, colega e amigo Antônio Holfeldt, prêmio maturidade acadêmica. Foi um prazer conhecê-lo, é um privilégio compartilhar de um mesmo evento em que você também é homenageado.

Bem, muito obrigado, mas muito obrigado a cada um de vocês que estão neste evento. Compartilhar, dividir, dialogar e contribuir para a produção no campo da Comunicação. Essa é a nossa missão. Mais uma vez, muito obrigado.

Santos (SP), 31 de agosto de 2007.

*Texto integral do discurso lido na solenidade de entrega do Prêmio Luiz Beltrão 2007, na categoria Liderança-Emergente