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JORNAL INTERCOM
Jornal semanal da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação

Ano 3, nº. 70, São Paulo – SP – Brasil 06 de setembro de 2007

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XXX Cecom discute Perspectivas Profissionais para a Comunicação na Sociedade Digital

Esta mesa do XXX Cecom teve como coordenador Jorge Pedro de Souza da Universidade Fernando Pessoa Portugal e Margarida Maria Krohling Kunsch de ECA-USP e Intercom como comentarista. Participaram como expositores: Octavio Islas (Instituto Tecnológico de Monterrey, México); Edgard Rebouças (UFP/Intercom); Eduardo Ribeiro (Mega Brasil); e Elias Machado (UFSC).

Islasao abordar “Sociedade Digital: O impacto das novas tecnologias de comunicação na dinâmica sócio – cultural” destacou cerca de 25 tendências que estão presentes na economia digital. Essas tendências estão interferindo no mundo das indústrias das comunicações e no comportamento social. Chamou a atenção para a rádio digital e a ciência das redes (holonomia) e a conexão que vem acontecendo entre áreas aparentemente diferentes. Para o expositor mexicano a Educação têm aproveitado muito pouco do uso de Internet e a inovação é uma questão central na competitividade atual.

Rebouçasem “Internet” o espaço da convergência midiática: desafios políticos e econômicos” chamou de “provocações” seus inúmeros questionamentos acerca das políticas públicas versus o mercado quando o assunto é tecnologia e da expropriação do espaço público.Outro ponto polêmico diz respeito às concessões da Radiodifusão no País e como as lógicas sociais podem e devem ser reincorporadas às políticas públicas. Segundo ele “a história ensina que o eufemismo para a implantação e utilização de determinadas inovações pode conduzir a sociedade a equívocos irreparáveis a curto e médio prazos”.

Ao tratar de “Gêneros, formatos e conteúdos: inovações, mudanças ou ressurgências”, Elias Machado destacou vários aspectos do Jornalismo Digital em Bases de Dados. Enfatizou os mitos, as realidades muito presentes que são construídos em torno da convergência jornalística, e por fim elencou alguns desafios para a implantação dessa convergência, sobretudo no que diz respeito à melhoria da qualidade na formação do jornalista e na necessidade de uma mudança de mentalidade dos empresários das empresas produtoras de conteúdos.

Eduardo Ribeiro se declarou como um representante de um mercado competitivo, sobretudo da Comunicação Corporativa, onde tem atuado nos últimos anos. Com base no tema que lhe foi proposto “Mercado de trabalho” o fosso entre as demandas profissionais e as ofertas acadêmicas”, chamou a atenção para a necessidade de uma maior aproximação da universidade com o mercado. Defendeu que os profissionais precisam estar muito mais bem preparados para enfrentar uma dura realidade do dia a dia. Ao se referir à prática do Jornalismo afirmou:“o mercado precisa de editores e não de fechadores de jornais”.

Após o término das exposições, Margarida Maria Krohling Kunsch, na qualidade de comentarista, apresentou uma breve síntese do conteúdo tratado pelos quatro expositores e destacou alguns pontos reflexivos sobre o tema central desse simpósio. Para ela “O mercado profissional do campo da Comunicação Social sofre todos os impactos da comunicação digital e da sociedade midiática na contemporaneidade. O avanço tecnológico por que passam telecomunicações, imprensa, rádio, televisão, computadores, Internet e transmissões via satélite impele a sociedade a um novo comportamento e, conseqüentemente, a um novo processo comunicativo social, com inúmeras implicações técnicas,éticas e morais. Em todo esse contexto cabe às escolas ou faculdades de Comunicação Social a tarefa de repensar os paradigmas que vem sendo adotados na formação universitária desses agentes e gestores midiáticos. Faz-se necessário enfrentar o grande desafio de revolucioná-los, pois conforme Thomas Khun, a sociedade e a própria comunidade acadêmica e profissional já não os reconhecem como pertinentes.

A seguir o coordenador de mesa, Jorge Pedro de Souza, abriu o debate com os presentes na platéia, que estava super lotada, e os participantes dirigiram inúmeras perguntas aos expositores. As reflexões postas à mesa foram muito produtivas e instigantes.