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Inserção social: novo quesito na avaliação da pós-graduação
Por Renato Janine Ribeiro, Diretor de Avaliação da Capes
Uma das novidades na ficha de avaliação dos cursos de pós-graduação stricto sensu é a inclusão de um novo quesito: inserção social. Ele tem um peso fixo de 10% na avaliação dos mestrados acadêmicos e dos doutorados (que são, todos, considerados acadêmicos). No caso do mestrado profissional, a área de avaliação pode fixar esse peso entre 10% e 20%, considerando-se que esse nível de titulação pode – e deve - se caracterizar por um impacto social maior.
Essa inovação é muito importante, porque significa o reconhecimento oficial, pela Capes, de que a pós-graduação tem uma responsabilidade social e deve assim, não apenas melhorar a ciência, mas também melhorar o país e, por que não? Sobretudo se pensarmos em termos de ecologia e meio ambiente, o mundo.
Dizendo de outro modo, o pressuposto da avaliação é que os docentes sejam pesquisadores de qualidade. A exigência de boa pesquisa, que causa reclamações injustas (porque um mau pesquisador não vai formar um bom mestre), é a pré-condição para a pós-graduação funcionar. O eixo da pós, por sua vez, é a formação de bons mestres e doutores. Sabe-se que, se fossemos avaliar só a excelência do grupo, examinaríamos o excelente Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq. Mas queremos algo, além disso, que é como esses pesquisadores formam mestres e doutores.
E, com a introdução do quesito inserção social, damos um passo adiante: queremos também ver como esses mestres e doutores, bem como a pesquisa deles e de seus orientadores, atua em termos de desafios decisivos para a sociedade.
Autonomia
Cada uma das áreas do conhecimento define como entende a inserção social. A título de exemplo, damos aqui quatro exemplos de impacto e as indicações, que a Capes formulou a respeito de cada um deles.
Extensão
Numa universidade de ponta é freqüente a extensão ser “a prima pobre” dentre as principais atividades da instituição. Compreende-se. O segredo de uma boa instituição de ensino superior está na pós-graduação. É ela que, articulando a pesquisa com a formação de alunos já graduados, assegura a qualidade do ensino superior – e que faz que ele não seja, apenas, ensino. Não há dúvida de que a extensão é importante, mas muitas vezes ela é pulverizada. Não é isso o que interessa no novo quesito, embora tenhamos o maior respeito pelas atividades de extensão. O que se está valorizando é uma extensão de impacto, planejada, eficaz na consecução de objetivos que transformem a sociedade. Vamos a alguns exemplos.
O atendimento de doentes, por exemplo, pode ser uma extensão preciosa em termos sociais. Mas, para a pós-graduação, o que importa é – por exemplo – se um programa de saúde coletiva revolucionou a rede de atendimento, e não quantos doentes foram atendidos. O que estamos considerando é o poder de transformação social que a pós tem. Isso significa que ações de rotina, ou ações socialmente meritórias, mas que não modifiquem, não serão consideradas para a avaliação da pós-graduação.
Que não modifiquem, afirmei acima; mas modifiquem o quê? Há vários objetos diretos para este verbo. Podem modificar o atendimento de saúde, como fará um bom mestrado (talvez mais profissional do que acadêmico). Podem modificar o ensino de ciências, como tem feito a área deste nome, sobretudo com seus mestrados profissionais. Mas devem também modificar o conhecimento. Não se trata de mera aplicação de um conhecimento pronto a realidades que clamam por ele. Para a pós, é importante que esses trabalhos retro alimentem a pesquisa e a formação. Um curso de pós-graduação, assim, não pode entrar no piloto automático e de maneira repetitiva, como numa linha de montagem, difundir boas práticas pelo País. Essa atividade é legítima e deve ser executada, mas não é a missão do mestrado e do doutorado. Um curso que não se modifica, que não se auto-critica, não será um bom curso de mestrado ou doutorado.
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