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Jornal semanal da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação

Ano 3, nº. 61, São Paulo – SP – Brasil 01 de junho de 2007

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Mestrado da UNIDERP lança livro Meio Ambiente e Produção Interdisciplinar


O livro Meio Ambiente e Produção Interdisciplinar, resultado de pesquisas desenvolvidas no mestrado em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional da UNIDERP, será lançado no dia 1º de junho, durante a abertura da II Jornada Integrada de Biologia, evento realizado pelos cursos de Ciências Biológicas da UNIDERP, UFMS e UCDB. O lançamento acontece às 9h, no saguão localizado entre os blocos IV e V do campus I da UNIDERP.

A obra é composta por 21 artigos produzidos por meio de pesquisas das transformações do ambiente urbano e rural, entre elas, a deterioração de rios e córregos; o ecoturismo e o lixo; e a exploração do subsolo e o Pantanal Sul-mato-grossense. O trabalho privilegia o enfoque integrador das mais diversas áreas do conhecimento em busca de soluções que levem em consideração a interdisciplinaridade, demonstrando que é possível a investigação científica realizada por diferentes áreas visando à temática ambiental e suas variáveis. São 46 autores, entre docentes e discentes.

O mestrado em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional da UNIDERP segue os parâmetros do Comitê de Cursos Multidisciplinares da Coordenadoria de Aperfeiçoamento e Pesquisa do Ensino Superior (CAPES), o que significa a busca da interdisciplinaridade mediante a convergência de duas ou mais áreas do conhecimento. “Recomendado pela CAPES em 2002, o programa vem desenvolvendo investigações que envolvem os corpos docente e discente e, cinco anos depois, podemos afirmar que a inter-relação da área de concentração – Biodiversidade e Desenvolvimento Sustentável do Pantanal e do Cerrado e das três linhas de pesquisa – Sistemas Ambientais e Biodiversidade, Desenvolvimento Sustentável Regional e Sociedade, Cultura e Natureza - já se materializa em produção interdisciplinar,” comentam os professores editores do livro Eron Brum, Ademir Kleber Morbeck e Silvio Fávero.

“O Estado do Mato Grosso do Sul tem algumas vocações indiscutíveis, como a agricultura, a pecuária e o meio ambiente. Sua produção agrícola cresce e se moderniza, a pecuária coleciona recordes e o ambiente é privilegiado com seus dois grandes biomas Cerrado e Pantanal. Apostando nessas vocações, e na riqueza natural, a UNIDERP priorizou as pesquisas no sentido de contribuir para uma agricultura eficiente e evoluída tecnologicamente e uma pecuária que responda às exigências dos mercados nacional e internacional, sempre em sintonia com o desenvolvimento sustentável, apoiado na economia eficiente, na justiça social e na prudência ecológica", observa o reitor da UNIDERP, Pedro Chaves dos Santos Filho, no prefácio da obra.

O reitor diz ainda que "as nossas pesquisas apontaram para a necessidade de criação de cursos de mestrado e, a partir de 2002, dois programas de caráter multidisciplinar foram recomendados pela CAPES: Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional e Produção e Gestão Agroindustrial. E, dessa forma, a UNIDERP estava concretizando mais uma etapa de seus inúmeros compromissos com Mato Grosso do Sul, presentes em sua nomenclatura: desenvolvimento do Estado e da região do Pantanal".

O livro é mais uma publicação da Editora UNIDERP e estará disponível para compra. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (67) 3348-8073.

Artigos - As raízes sociais, econômicas e culturais sul-mato-grossense são abordadas por Ursula Sydow, Lucia Elvira Raffo, Gilberto Luiz Alves e José Sabino, em Trem do Pantanal: um resgate histórico e a importância para o desenvolvimento. Vital para o desenvolvimento, o Trem do Pantanal ressurge como um projeto estratégico associado ao turismo. Danos ambientais irreversíveis a curto e médio prazo são o ponto central de Rio Taquari na mídia impressa sul-mato-grossense, de Cristiano Cupertino, Eron Brum, Ademir Kleber Morbeck e Albana Xavier.A pesquisa destaca que os processos erosivos no Taquari, um dos principais rios que abastecem o Pantanal, começaram a se agravar na década de 1970 e, 30 anos depois, as populações tradicionais que ainda permanecem na região são os retratos humanos de um impacto socioeconômico de conseqüências tão graves quanto a degradação ambiental.

As macrófitas aquáticas formam a principal comunidade produtora de biomassa em regiões sujeitas a inundações periódicas, sendo de fundamental importância para a cadeia alimentar das espécies, mostra a pesquisa Biomassa de Eichhhornia azurea e insetos aquáticos e semiaquáticos associados em uma lagoa do Pantanal do Negro.No entanto, o Pantanal Mato-Grossense apresenta poucos estudos sobre este tipo de vegetação, apesar da sua importância como componente desse ecossistema. O artigo foi elaborado por Ademir Kleber Morbeck, Silvio Fávero, Marco de Barros Costacurta e Cíntia de Oliveira Conte.

Em Levantamento preliminar da entomofauna associada ao filme d’água da baía do Bacero e corixo do Pau Seco-Pantanal do Negro,é tratada pesquisa realizada em uma área pouco estudada tem destaque, indicando nos estudos em planícies de inundações tropicais que, entre as comunidades encontradas, a de invertebrados é uma das mais importantes. Mesmo assim, pouco se conhece sobre a história de vida, ecologia e alcance geográfico de invertebrados aquáticos, principalmente da classe Insecta, devido a grande abundância e diversidade apresentada por este grupo. São autores do texto Iana Aparecida Dalla Valle Oliveira, Silvio Fávero, Ademir Kleber Morbeck e Celso Correia de Souza.

A produção científica do Mestrado investiga problemas ambientais de todas as áreas do Estado. É o caso de Mapas mentais e percepção ambiental de crianças pantaneiras da região de Aquidauana,elaborado por Rodrigo Ferreira Abdo, Albana Xavier, Eron Brum e Gilberto Luiz Alves, que aponta a complexidade da aprendizagem da população que vive no bioma Pantanal e apresenta propostas de ações educacionais que favoreçam à criança perceber-se como ser integrante, interdependente e agente transformador do ambiente, valorizando a cultura regional. Os centros urbanos de grande movimento de pessoas e automóveis têm motivado pesquisas nas mais diferentes áreas e os resultados são, às vezes, desconcertantes. Já a investigação Uso do arenito na Arquitetura a na escultura da região de Aquidauanamostra uma prática comum, desde os seus primórdios. O arenito é rico em texturas e tonalidades diversas e sua utilização – na construção civil e nas artes – causa poucos danos ambientais.O artigo foi elaborado por Anelise Flausino Godoy, Albana Xavier, Mercedes Abid Mercante e Eron Brum.

Tutela jurídica do Pantanal Sul-Mato-Grossense: uma abordagem jurídica de Lídia Maria Lopes Rodrigues Ribas e Rosana Siqueira Bertucci pede urgência na regulamentação efetiva do ambiente Pantanal, para salvar, principalmente, o seu patrimônio genético, rico tanto em quantidade quanto em qualidade. Um bom exemplo é o porco monteiro pantaneiro, que tem sua origem no suíno doméstico e, há cerca de 200 anos, transformou-se em animal selvagem e hoje começa a ser estudado pelos pesquisadores. Porco Monteiro do Pantanal: Condições sanitária e produtiva investiga o perfil biométrico e sanitário da espécie e discute aspectos ligados à sustentabilidade de programas de viabilidade econômica da exploração do porco monteiro. O artigo foi elaborado por Olímpio Crisóstomo Ribeiro, Gete Ottaño da Rosa, Letícia Almeida Retumba, Jacqueline Marques, Aparecida Amorim e Rita de Cássia da Silva Paes.

O exercício interdisciplinar Agenda 21 de Campo Grande e a construção da Nova Cidade, de Marcos Morandi, Eron Brum, Albana Xavier e Mercedes Abid Mercante, aponta para a necessidade urgente da construção de um novo desenho para a realidade urbana, levando em consideração a interação de todas as áreas, para que a população possa viver em condições humanas dignas, dotada de qualidade de vida e, ao mesmo tempo, convivendo de maneira harmônica com o meio ambiente. De autoria de Evandro Ziemann, Vera Lúcia Bononi, Lúcia Elvira Mascaro e Silvio Fáver, Percepção ambiental e arborização urbana: os usuários da Avenida Afonso Pena em Campo Grande destaca que cada ser humano percebe e reage diferentemente, mas, pode-se afirmar que, apesar de toda a subjetividade do assunto, há um consenso quanto à necessidade da arborização urbana e sua importância para atenuar a degradação ambiental.

A abordagem da reforma tributária que determina a unificação em todo o território nacional das regras de cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS) poderá ser altamente prejudicial ao Mato Grosso do Sul, como alerta o artigo Aeroporto industrial: possibilidades em Campo Grande. Tendo por cenário macroeconômico, a pesquisa recomenda ao poder público que busque novas alternativas para gerar o desenvolvimento geral e, assim, reverter o possível desinteresse de novos investimentos industriais no Estado. Uma das formas de conhecimento aprofundado das condições de vida de uma comunidade é investigar a consciência das pessoas em relação ao ambiente em que vivem. O artigo foi escrito por Celso Fabrício Correia, Regina Sueiro, Mercedes Abid Mercante e Lúcia Elvira Mascaro.

Qualidade de vida e meio ambiente: o caso Jardim Tayana no município de Campo Grande é um exemplo de que as péssimas condições de vida que se traduzem em ausência completa de lazer, falta de segurança e degradação ambiental, não percebidas de forma clara pela comunidade. O índio sul-mato-grossense está cada vez mais propenso a desenvolver doenças crônicas muito comuns no mundo moderno e a migração para as áreas urbanas é outro fator preocupante. O texto foi elaborado por Anselmo Maranelli Neto, Celso Correia, Cleber José Alho e Regina Sueiro. O impacto do uso e ocupação desordenado do solo sobre atividade turística no balneário Lagoa Rica - Campo Grande , de Simone Cristina Putrick, Admir Kleber Morbeck, Silvio Jacks, Mercedes Abid Mercante e Albana Xavier, discute a descaracterização do entorno do balneário, ocasionando processos erosivos e desencadeando o assoreamento da lagoa, com acúmulo de sedimentos que resultou na redução do volume de água. Outro aspecto verificado pela pesquisa: o aumento desregrado do turismo de massa ampliou a deterioração ambiental.

Reservatório de captação do córrego Guariroba caracterização do leito da bacia hidráulica é um referencial para o monitoramento do volume hídrico do manancial. Entre os problemas detectados destaca-se o assoreamento de parte do reservatório, fator que contribui para a redução do volume hídrico. O texto é de autoria de Marcos André Madrid, Silvio Jacks, Mercedes Abid Mercante e Celso Correia. Caminhos e descaminhos dos resíduos sólidos urbanos: o caso de Cassilândia aborda conhecimentos sistematizados, o conceito moderno de gerenciamento de resíduos, o qual é permeado por ações integradas do poder público local, a quem cabe a responsabilidade de fomentar e gerir as atividades e a participação e envolvimento da população atendida, com vistas à operacionalização adequada e eficiente. A degradação ambiental em dois importantes rios sul-mato-grossenses forneceram importantes informações transformadas em pesquisa científica. O artigo é de autoria de Maria da Glória Moraes de Castro, Mercedes Abid Mercante, Eron Brum e Celso Correia.

Elio de Castro Paulino, Eron Brum, Cleber José Alho e Roza Maria Schunke, no artigo O impacto da pecuária na mata ciliar do rio Aporé, município de Cassilândia comprovam que o manejo inadequado da pecuária, uma das atividades econômicas mais importantes do Estado, pode causar sérios problemas ao ambiente, como ocorreu no município de Cassilândia. Minerais em Bodoquena, Calcário e Dolomito e a geração de emprego e renda, de Alice Sueiro, Ido Michels e Vera Lúcia Bononi,observa que os efeitos ambientais são minimizados com catalizadores para purificar o ar, arborização para recomposição paisagística e tratamento de efluentes em bacia de decantação. O assunto vem causando muitas discussões,especialmente porque o município de Bodoquena está tentando equacionar a sua natural vocação turística com a crescente indústria de minerais.

Cobrança pelo uso da água nas atividades agropecuárias: estudo de caso no córrego Montalvão, em Maracajú analisa a polêmica da Política Estadual de Recursos Hídricos, especialmente as formas de fiscalização das propriedades rurais. A pesquisa revela a falta de estudos mais aprofundados sobre a real situação dos recursos hídricos e as atividades agropecuárias, destacando aspectos como as posições radicais de ambientalistas e de políticos inexperientes, somadas à perplexidade de uma sociedade mal informado sobre um tema atual, não apenas em Mato Grosso do Sul, mas, em todo o Brasil, motivo de preocupação planetária. O artigo foi elaborado por Carmem Verônica Fanaia, Silvio Fávero, Lídia Maria Ribas e Lúcia Elvira Mascaro.

Em Subsídios para a elaboração do plano de manejo da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Fazenda São Geraldo, município de Bonito há um alerta que o crescimento populacional e o resultante aumento da demanda por bens e serviços ambientais, além da redução dos orçamentos públicos destinados à conservação da natureza, têm limitado cada vez mais a criação de áreas protegidas públicas. O texto é de autoria de Marco de Barros Costacurta, Cleber José Alho, José Sabino e Silvio Jacks. Ainda na mesma região, A relação entre a atividade física e os profissionais ligados ao ecoturismo na região de Bonito , José Gehilson, Emiko Kawakami, Gilberto Luis Alves e Ademir Kleber Morbeck investigaram os riscos causados por profissionais não qualificados para essa atividade que desponta como uma das principais geradoras de riquezas para o Estado.

Pesquisa cooperativa na produção agroindustrial: a criação de um novo modelo defende a teoria sistêmica em que os atores envolvidos tornam-se não apenas executores, mas modeladores do processo metodológico interdisciplinar. O artigo foi elaborado por Luiz Eustáquio Lopes Pinheiro, Francisco Carlos Trindade, Francisco Assis Rolim, Lucas Augusto Soeiro Pinheiro e Eron Brum.