JORNAL INTERCOM NOTÍCIAS![]()
Jornal semanal da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação![]()
Ano 3, nº. 58, São Paulo – SP – Brasil
10 de maio de 2007![]()
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Acontece
Intercom Norte 2007 discutirá nova comunicação na Amazônia
Coordenadora Maria Ataíde quer aumento da participação de trabalhos do Norte na programação nacional do Intercom
Por Élida de Cristo
No segundo ano em que o Intercom se realizará com caráter de congresso (e não mais de simpósio), o Estado do Pará irá atuar como o mediador dos debates que serão propostos pelos estados que compoêm a Região Norte juntamente com o Maranhão. A Universidade Federal do Pará será o palco da integração regional lançada pelo mais importante encontro do Norte na área da Comunicação, que acontecerá em Belém (Pará), entre os dias 20 e 22 de junho de 2007.
Para a coordenadora do evento, Prof.ª Dr.ª Maria Ataíde Malcher, ligada ao Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal do Pará, além de favorecer mais uma vez a interação sobre o que se tem produzido nas instituições de ensino superior em Comunicação dos estados do Norte, a expectativa do Intercom Norte 2007 é a de fomentar uma maior participação da região no Congresso Nacional - ainda muito tímida em relação à Região Sudeste do Brasil, por exemplo.
Cerca de mil pessoas são esperadas para o evento, que deve reunir contingentes do Pará e também do Amapá, Amazonas, Roraima, Rondônia, Acre, Tocantins e também do Maranhão (que, pela proximidade cultural, e por pertencer à Amazônia Legal, também é convidado a participar do congresso). “O principal ganho da UFPA com a oportunidade de sediar esse congresso será a experiência. Mas o que será proveitoso não só para Belém e para a UFPA, mas também para outras instituições e estados que estarão conosco, é a integração viabilizada pelo mapeamento de tudo o que se tem feito em Comunicação na Região. Nós vamos ter a oportunidade de sair do congresso com a idéia do que é fazer Comunicação na Região Norte”, avalia a coordenadora do Intercom Norte. Professora de Jornalismo da Universidade Federal do Pará há um ano, Maria Ataíde Malcher antes trabalhava na Universidade de São Paulo (USP), onde fez seu Mestrado e Doutorado.
Ainda com parte da programação a ser definida, a coordenação do Intercom Norte já prevê que entre os palestrantes convidados estarão pesquisadores internacionais, além de grandes profissionais brasileiros e nortistas. “Nossa programação é ousada, se levado em consideração o fato de que ainda não temos nenhum patrocínio efetivado. Mas estamos trabalhando para manter nosso projeto inicial. Grupos de trabalho, apresentação e julgamento dos trabalhos do Expocom, mini-oficinas para alunos de graduação, duas conferências por dia e a abertura do Congresso com palestra do presidente da Intercom José Marques de Mello, que estará brindando conosco os 50 anos da UFPA e os 30 anos do curso de Comunicação Social da nossa universidade”, planeja.
Integração na Amazônia: do oral ao digital – Em um momento em que a Amazônia se destaca nas pautas institucionais e jornalísticas do Brasil e do mundo - embora ainda estas hoje se concentrem em questões ambientais -, passa a ser cada vez importante a atuação de profissionais de comunicação da própria região para a ação de apuração da realidade local. Por outro lado, as dificuldades comunicacionais enfrentadas pela nossa região são provenientes principalmente do distanciamento (físico e informacional) em que suas populações se encontram, tanto entre si como na relação com outras partes do Brasil. No entanto, a digitalização dos meios de comunicação muito tem contribuído para reverter esse quadro.
E é justamente para tratar dessas questões que o Intercom Norte este ano trata do tema “Comunicação na Amazônia: do oral ao digital”. O tema toca o processo recente de transformação do modelo mais elementar de comunicação – a fala – em um sistema marcado pela rapidez e pela interação.
Segundo a coordenadora do Intercom Norte 2007, Maria Ataíde, “antes, as nossas fronteiras eram maiores; não era tão fácil nos correspodermos com alguém do Norte estando no Sul do país. Hoje a gente consegue se comunicar através de outros meios de informação que já não somente os clássicos, como o rádio, a TV e o jornal: nós temos a internet e todo um ambiente virtual de comunicação”. Ou seja, ainda vivemos espacialmente longe uns dos outros e da chamada região central do Brasil, mas a Internet abrandou muito os obstáculos decorrentes da imensidão do nosso território e da sua deficiente infra-estrutura viária: hoje as possibilidades de comunicação se ampliaram.
A consolidação dos meios digitais de Comunicação estabelece mudanças significativas nas tradicionais formas de relacionamento. As novas maneiras de se produzir, veicular, propagar e receber informação – que têm transformado os produtores de informação em empresários, a mensagem em mercadoria e o público em consumidor – exigem cada vez mais do profissional da Comunicação um posicionamento ético, crítico e responsável. E é nessa conjuntura que o VI Congresso de Ciências da Comunicação da Região Norte possibilitará uma ampla discussão sobre o tema, com as contribuições do que se tem feito em outras regiões do país, mas sobretudo a partir de uma realidade próxima.
Ainda constitui um desafio para o Intercom fomentar diálogo dentro das regiões, para que em cada Congresso Regional se possa evidenciar a diversidade da produção brasileira em comunicação, espelhadas nos trabalhos produzidos em cada região e apresentados na reunião nacional. Trabalhos esses que representem bem as produções de cada região na reunião nacional. Para Maria Ataíde, na Amazônia ainda há um grande problema na circulação de informação intra-regional: “Existe uma hegemonia no Brasil de mídia televisiva, impressa e de rádio constituídas a partir de referenciais do Sudeste do Brasil, principalmente. Quando os veículos locais não aderem à hegemonia, restringem-se à circulação no seu estado de origem”, afirma ela.
Assim, às vezes é mais fácil para um amazonense ter acesso a um jornal de São Paulo do que a um que circule em Rondônia, por exemplo. Porém, Ataíde deixa claro que toda essa situação já se encontra em processo de mudança, graças à globalização e à digitalização que aqui atuam no propósito de encurtar o tempo e o espaço que ainda desintegram os estados do Norte. Nesse sentido, eventos como o Intercom devem ser aproveitados de toda maneira: é o que sugere a coordenadora quando acentua o quanto seria bom se todos os participantes trouxessem para o Congresso produtos de comunicação que circulam nos seus estados.
O VI Congresso da Região Norte promovido pela Intercom objetiva, principalmente, apresentar aos estudantes e profissionais da área as transformações ocorridas nas políticas e práticas comunicacionais, com o desenvolvimento da tecnologia e os impactos dessa evolução. Sob esse prisma, está nos dando a oportunidade de expor nossas pesquisas para olhares nacionais e internacionais, a oportunidade de entender e participar da discussão que envolve mercado, mídia e academia.
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