INTERCOM NOTÍCIAS![]()
Jornal semanal da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação![]()
Ano 2, nº. 44, São Paulo – SP – Brasil
08 de dezembro de 2006![]()
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Fórum
Intercom, ano 30
No próximo dia 12 de dezembro, a Intercom celebra o aniversário de sua fundação em 1977. O Sinacom vem sendo realizado, desde 2002, com a intenção de fazer balanços periódicos da vida da nossa associação. Este ano a data será lembrada pela atualização estatutária que pretende ser o instrumento capaz de situar a entidade no panorama do novo século. Ao iniciar-se o ciclo comemorativo dos seus 30 anos, o Jornal Intercom Notícias abre um espaço para a revisão crítica da sua trajetória, ou seja, para que os sócios ajudem a repensar o nosso futuro.
Abrimos esta série com o artigo escrito pelo nosso conselheiro da Região Norte, Narciso Lobo, originalmente publicado no Jornal da Selva - http://njlobo.blog.uol.com.br
Intercom, três décadas depois
Narciso Lobo*30/11/2006
Em 2007, todos aqueles que reconhecem o papel central da comunicação, nos dias em que vivemos, terão oportunidade para refletir acerca do trabalho da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom), que estará completando três décadas de fundação. Dela, podemos dizer que não apenas surgiu no momento certo, mas que, ao longo de sua trajetória, demonstrou capacidade de ressignificar-se, como forma de oferecer respostas a novos desafios. Quando surgiu, em 1977, o Brasil ensaiava os primeiros passos na direção da redemocratização, sob o governo Geisel, uma espécie de déspota esclarecido, que antevia o esgotamento do ciclo militar e tomava as primeiras medidas destinadas a alterar os rumos da vida política nacional.Nas universidades, onde mesmo no auge do período autoritário, sob o governo Médici, a resistência jamais deixou de pulsar, havia a expectativa por mudança, que, de forma marginal, estudantes e professores alimentavam. A questão, tal como se colocava, era algo como religar os fios partidos da comunhão e do associativismo. E, por trás da aparente paz dos cemitérios, fazer com que um Brasil, cheio de novas demandas, pudesse emergir do silêncio. Não era para menos: lá fora, como aqui, a terra se movia, em meio a contrastes e contradições. E neste cenário, cheios de riscos, perigos, mas também de ousadias, surgia a Intercom, para colocar-se, ao lado de tantas outras agremiações, sob o guarda chuva generoso da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).
De lá para cá, aconteceram transformações substanciais. Avaliar o papel que a Intercom desempenhou, nos estudos comunicacionais, demandará a realização de Seminários, por todo o país, inclusive em Manaus. Em primeiro lugar, deve-se registrar o deslocamento de ênfase que provocou no próprio ensino da comunicação: inicialmente, o boom das escolas da área, em plena ditadura, gerou a expressão “comunicomania”, justamente quando bem pouco a sociedade se comunicava entre si. Em síntese, pensava-se apenas na formação técnica do jornalista, do publicitário, do cineasta, do RP, para ocupar funções no mercado de trabalho. E veio o grande corte epistemológico – com perdão de um termo tão gasto na academia –, com a idéia de que a pesquisa deveria conviver com o ensino profissional para que, daí, brotasse a inovação. Ou seja, não apenas reproduzir o saber existente, mas também recriá-lo.
Por último, enfrentando desafio de igual magnitude, vemos agora a Intercom voltar-se para uma idéia integral de Brasil, no pressuposto de que os talentos estão em todas as regiões, precisando, tão-somente, das condições necessárias para o pleno desabrochar. Dessa maneira, suas três décadas, no próximo ano, trazem, de antemão, extensa agenda para discussões: não apenas no tocante às conquistas, que são muitas, mas diante do que está por vir, no quadro da globalização, quando, no cerne da linguagem, e da questão comunicacional, nas palavras de Habermas, está o próprio embate sobre o modelo de sociedade que queremos construir.
* O autor é doutor em Ciências da Comunicação e docente do Programa de Pós-Graduação em Sociedade e Cultura na Amazônia e do Departamento de Comunicação Social da Ufam.
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