Portcom

INTERCOM NOTÍCIAS
Jornal semanal da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação

Ano 2, nº. 28, São Paulo – SP – Brasil 04 de agosto de 2006

Sumário desta edição
Outras edições

 

Acontece

Comunicação brasileira perde Joseph Luyten (1941-2006)

Faleceu em São Paulo, no dia 27 de julho, o professor Joseph Luyten, responsável pela linha de pesquisa sobre Folkmídia da Universidade Metodista de São Paulo. Afastado das atividades acadêmicas para tratamento de saúde, Luyten não resistiu às complicações cardiovasculares que debilitaram seu organismo há mais de um ano.

Ao convidar amigos e parentes para a missa de sétimo dia, oficiada na Igreja de Fátima, Sumaré, São Paulo, ontem, dia 3 de agosto, a viúva Sonia Luyten dele traçou o seguinte perfil:

“Joseph representou para todos nós da família um homem sempre generoso, e, para mim especialmente, um grande amor, que fez gerar três filhas, três genros e três netas muito especiais.
Sua franqueza, seu coração generoso, seu cavalheirismo, seu humor, sua inteligência e até mesmo no cotidiano implacável (nem sempre ele era bonzinho), o tornaram um ser humano capaz de transformar coisas pequenas em grandes feitos, coisas difíceis de explicar em linguagem accessível, coisas sérias em gostosas gargalhadas e as coisas simples da vida, em filosofia .
Seu jeito de ser, entre uma baforada e outra do cachimbo, entretia quem estivesse ouvindo, alegrava quem estivesse triste e aconselhava quem precisasse de novos rumos”.

Nascido em Brunssun, Holanda, no dia 15 de agosto de 1941, Joseph Luyten emigrou com sua família para o Brasil em 1952, residindo inicialmente na cidade do Recife e transferindo-se depois para São Paulo. Aqui realizou sua formação universitária, diplomando-se em Jornalismo (Cásper Líbero) e Literatura (USP). Iniciou sua carreira intelectual como crítico de arte em jornais paulistanos, optando depois pela carreira docente. Lecionou na Faculdade Cásper Líbero e depois na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, onde se doutorou em 1980, sob a orientação de Egon Schaden.

Participou ativamente das atividades iniciais da Intercom, na qual se engajou na equipe de pesquisas sobre folkcomunicação liderada por Luiz Beltrão.

Apresentou ao II Congresso da Intercom (1979) o trabalho “A literatura de cordel como veículo de comunicação das populações marginalizadas da cidade de São Paulo”, publicado no livro Comunicação e Classes Subalternas, organizado por José Marques de Melo.

Durante as décadas de 1980 e 90 viveu no exterior, embora academicamente dedicado ao estudo dos fenômenos da comunicação popular brasileira. Atuou primeiro no Japão – National Museum of Ethnology de Osaka e depois na University of Tsukuba –, e depois na Holanda – onde exerceu a função de Reitor do campus Avançado da Universidade Teikyo, em Maastrich. Retornou ao Japão para lecionar Cultura Brasileira na Universidade de Tenry (Nara), transferindo-se finalmente para a Universidade de Poitiers (França), onde organizou o Fonds Raymond Cantel dedicado à literatura de cordel.

Sua volta ao Brasil começou a ser viabilizada em 1997, como Professor-Visitante, a convite da Cátedra UNESCO de Comunicação da Universidade Metodista de São Paulo, e posteriormente como Professor-Pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social, onde desenvolveu um alentado projeto de pesquisa sobre Folkmídia, estudando o contra-fluxo da cultura popular nas redes midiáticas e orientando várias teses de doutorado e dissertações de mestrado.

Autor dos seguintes livros Bibliografia especializada em literatura popular em verso (1981), O que é literatura popular (1983), Sistemas de comunicação popular (1988), Burajiru Mishin Bom no Sekkai (1990) e A notícia na literatura de cordel (1992). Coordenador da Coleção Biblioteca do Cordel da Editora Hedra (SP) com mais de 15 volumes publicados (www.hedra.com.br), foi também um dos fundadores da FOLKCOM - Rede Brasileira de Pesquisadores da Folkcomunicação (www.metodista.br/unesco).