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Jornal semanal da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação

Ano 2, nº. 28, São Paulo – SP – Brasil 04 de agosto de 2006

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Mundo universitário perde João Alexandre Barbosa (1938-2006)

Fonte: Agência Fapesp, 04/08/2006

A universidade brasileira está de luto. Morreu, na madrugada de ontem, 3 de agosto, na cidade de São Paulo, o professor, escritor e editor João Alexandre Barbosa. Pernambucano, formado na tradicional Faculdade de Direito do Recife, mas dedicado, desde muito jovem, ao jornalismo literário, integrou a equipe docente fundadora do Curso de Jornalismo da Universidade Católica de Pernambuco. A convite de Luiz Beltrão, ensinou Literatura Brasileira às primeiras turmas de jornalistas diplomadas por aquela instituição.

Migrou para São Paulo logo depois do golpe militar de 1964, aceitando convite do Professor Antonio Cândido de Mello e Souza para integrar sua equipe de assistentes. Na Universidade de São Paulo defendeu teses de doutorado e livre docência, vindo a suceder Antonio Cândido na regência da cadeira de Teoria Literária. Desenvolveu ali brilhante carreira acadêmica, ocupando cargos relevantes, entre eles o de Diretor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas e Pró-Reitor de Cultura e Extensão. Destacou-se, no entanto, como Presidente da EDUSP - Editora da Universidade de São Paulo -, convertendo-a em editora paradigmática no âmbito universitário. Dentre os projetos que contaram com seu incentivo está a Coleção “Clássicos do Jornalismo Brasileiro”, organizada pelo Professor José Marques de Melo, seu antigo aluno no Curso de Jornalismo da UNICAP.

João Alexandre tinha 68 anos, era casado com a Profa. Dra. Ana Mae Tavares Bastos Barbosa, a mais importante pesquisadora brasileira na área de arte-educação, deixando dois filhos: o poeta Frederico Barbosa (atual diretor da Casa das Rosas, onde é curador do Acervo Haroldo de Campos) e a arte-educadora Ana Amália, além da neta Ana Lia. Para a posteridade, seu principal legado é obra "Tradição do Impasse - Linguagem da Crítica e a Crítica da Linguagem em José Veríssimo". Deixa também outros livros importantes como "A biblioteca imaginária" e "Mistérios do Dicionário".

Sobre sua atividade como presidente da Editora da Universidade de São Paulo (Edusp), nos anos 1980, ele afirmou em entrevista ao Projeto 70 Anos da USP: "O reitor (José) Goldemberg me convidou para ser o presidente da Edusp. Eu respondi que a universidade não tinha uma editora, mas sim uma co-editora que publicava livros de editoras privadas, pagando por estes livros".

Segundo João Alexandre, o contra-argumento acabou sendo decisivo. "Ele me disse que era aquilo que ele queria mudar, e que por isso havia me convidado para o cargo. Aí eu não pude recusar: primeiro, porque eu adoro livros; segundo, porque era uma tarefa interessante, criar uma editora universitária. Eu então criei a Edusp como ela é hoje, uma editora de fato que publica livros próprios. Isso é algo do qual me orgulho muito, e que foi fundamental para minha carreira dentro da universidade".

Em artigo publicado no caderno “Idéias” do Jornal do Brasil, em 3/6/2006, a professora Regina Zilberman (PUCRS) sintetiza fielmente o seu perfil:

“João Alexandre Barbosa é intelectual de espécie bastante rara nos tempos atuais. Estudioso da literatura, nunca se deixou deslumbrar pelas últimas teorias da moda. Suas aulas, palestras e escritos sempre se revelaram serenas e lúcidas, plenas de ensinamento e sabedoria, porque, em cada uma dessas manifestações, assiste-se à transformação do conhecimento e da erudição, que ele detém em grande quantidade, em possibilidade de aprendizagem e de apreciação do melhor que escritores, entre ficcionistas e poetas, oferecem a seus leitores e intérpretes.”