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Acontece
Fórum sobre qualidade de ensino mobilizou lideranças de todo o País
Quase duas centenas de diretores de faculdades, coordenadores de curso, chefes de departamento, supervisores de laboratórios e líderes de grupos de pesquisa reuniram-se na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, no período de 11 a 13 de maio, com a finalidade de discutir os padrões de qualidade do ensino de Comunicação no País.
O evento, denominado Endecom 2006 – I Fórum Nacional em Defesa da Qualidade do Ensino de Comunicação –, contou com a presença de lideranças de todas as regiões, além de representantes dos organismos governamentais do setor educacional e das empresas de comunicação que operam em território brasileiro.
Metas e parcerias
O Endecom 2006 contou com a presença do representante do Ministro da Educação, Prof. Dr. Jaime Giolo (Inep); do Secretário Municipal de Cultura, Prof. Dr. Carlos Augusto Calil; da Pró-Reitora de Graduação da USP, Profa. Dra. Selma Garrido; da Presidente do Conselho Curador da Intercom, Profa. Dra. Anamaria Fadul; da Diretora do Canal Futura, jornalista Lúcia Araújo; do Presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, jornalista Sergio Murilo; do Presidente da Associação Brasileira das Empresas de Comunicação, Luiz Schiavon; além do Diretor da ECA, Prof. Dr. Luis Milanesi, anfitrião do encontro, do Presidente Executivo da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial, Paulo Nassar, e do Diretor da Radiobrás, Eugenio Bucci.
Também compareceram o Dr. Pierre Fayard (Universidade de Poitiers), atual presidente do Cendotec – Centro França-Brasil de Cooperação Técnico-Científica, e o pesquisador espanhol Oscar Curros (Universidade de Santiago de Compostela), representando a Presidente da Federação Lusófona de Ciências da Comunicação.
A organização do Endecom esteve a cargo dos professores doutores Margarida Kunsch (coordenação acadêmica) e Luiz Alberto de Farias (coordenação institucional).
Em seu discurso de abertura, o presidente da Intercom, professor José Marques de Melo, declarou que o encontro tinha duas motivações: 1) retomar a bandeira que a Intercom empunhou há 25 anos, ao liderar o movimento nacional em defesa dos cursos de Comunicação (ameaçados de extinção pelo regime militar), direcionando a nova campanha para a conquista de um ensino de qualidade para todos; 2) prestar homenagem à ECA-USP, no transcurso do seu 40o. aniversário de fundação, enaltecendo o pioneirismo revelado como instituição aglutinadora de todos os segmentos comunicacionais, da graduação à pó-graduação, em nosso País.
Retrato sem retoques
O primeiro dia foi inteiramente dedicado ao diagnóstico da situação. Em sua conferência inicial, a Dra. Eunice Durham, ex-diretora da Capes e da Secretaria de Educação Superior do MEC e atual coordenadora do Núcleo de Pesquisas sobre Ensino Superior da USP, focalizou os contrastes do sistema educacional brasileiro. Marcado pela exclusão dos continentes empobrecidos, bem como pela expansão vertiginosa da rede de ensino superior, ele se encontra em descompasso com a fragilidade da rede de ensino médio e a precariedade do segmento de ensino básico.
Por sua vez, o Dr. Jaime Giolo explicou as novas estratégias de avaliação vigentes no governo Lula, destacando a explosão dos cursos de Comunicação nos últimos dez anos. Segundo estatísticas recentes, o Brasil contabiliza 624 cursos de graduação em Comunicação Social, que oferecem 121.749 vagas anuais, sendo que apenas 13% estão localizadas em universidades públicas. Permanecem ociosas 51% destas vagas, uma vez que as matrículas iniciais não ultrapassam o patamar de 57.000 alunos. No conjunto, os cursos de graduação em Comunicação totalizam 189.000 alunos, registrando em 2004 a formatura de 23.583 profissionais nas diversas habilitações, o que indica uma evasão de pouco mais da metade dos ingressantes.
Também aportaram idéias e conhecimentos o professor Sergio Tiezzi (Assessor Especial da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo), que falou sobre os desafios da avaliação, levando em conta a experiência acumulada no final do século XX, bem como a relações-públicas Claudia Moura (PUC-RS), que dissertou sobre padrões de qualidade no ensino de Comunicação no Brasil.
Demandas e tendências
Dando continuidade ao levantamento do panorama da área, falaram os representantes do mercado de trabalho, explicitando as demandas setoriais.
Luis Claudio Latgé enumerou as expectativas das grandes empresas, como é o caso das Organizações Globo; José Luiz Schiavoni apresentou o ponto de vista do setor terciário, cabendo a Eugenio Bucci a explicitação dos parâmetros vigentes nas empresas estatais. A perspectiva dos trabalhadores da indústria midiática foi reconstituída pelo presidente da Fenaj, Sergio Murilo.
Completando o quadro analítico, foram esboçados os padrões de qualidade e as práticas de avaliação adotadas pelas diferentes áreas do saber comunicacional. Marcius Freire (Unicamp) mostrou o panorama da Pós-Graduação. O ensino de graduação foi assim descrito:
Jornalismo: Eduardo Meditsch (UFSC – Florianópolis);
Editoração Multimídia: Joaquim Valverde (ESEEI);
Radialismo e Televisão: João Winck (Unesp – Bauru/SP);
Cinema: Carlos Augusto Calil (ECA-USP);
Relações Publicas: Ivone Lourdes de Oliveira (PUC Minas);
Publicidade e Propaganda: Neusa Demartini Gomes (PUC-RS).
Desafios e compromissos
O segundo dia foi reservado aos relatos de experiências vigentes no sistema universitário nacional. Mais de cinqüenta comunicações acadêmicas foram distribuídas pelos seis grupos de trabalho, que discutiram de forma segmentada as conquistas pedagógicas e os retrocessos didáticos resgatados pelos professores inscritos no fórum.
Paralelamente aos relatos oriundos das quatro áreas principais – Jornalismo, Publicidade, Relações Públicas e Audiovisual – dois grupos se voltaram para questões comuns a todos os cursos, focalizando os projetos pedagógicos e as políticas institucionais vigentes na graduação, bem como as alternativas de formação de novos docentes ou profissionais exercitadas pela pós-graduação lato sensu.
Na sessão plenária de encerramento, os relatores mostraram as tendências principais dos estudos inscritos e da reflexão coletiva feita pelos participantes do Endecom 2006.
Dentre as aspirações da comunidade, foram destacadas as seguintes:
1) Dar continuidade a este tipo de encontro das lideranças educacionais da área, propiciando condições para a troca de experiências e para o posicionamento colegiado sobre questões de interesse nacional. A Intercom assumiu o compromisso de promover, em 2007, o II Fórum Nacional em Defesa da Qualidade do Ensino de Comunicação, em princípio nos dias 18 a 20 de abril, em local a ser definido posteriormente. As instituições interessadas em sediar o Endecom 2007 devem encaminhar suas candidaturas para intercom@usp.br
2) Publicar sob a forma de livro o conjunto dos textos das palestras e exposições feitas nos painéis, bem como os relatórios e os grupos de estudos, tendo em vista que as comunicações inscritas pelos participantes já estão disponíveis no endereço:
http://reposcom.portcom.intercom.org.br/handle/1904/19276
3) O Diretor da ECA assumiu o compromisso de publicar os Anais do Endecom 2006, sob a coordenação da Profa. Dra. Margarida Kunsch
4) Aperfeiçoar o formato do Fórum, no sentido de reservar amplo espaço para o debate em sessões plenárias. Para tanto, recomendou-se: a) organizar painéis e mesas-redondas com número reduzido de expositores; b) limitar o número de comunicações inscritas, selecionando aquelas que difundam inovações pedagógicas ou discutam problemas relevantes de natureza didático-metodológica; c) selecionar comunicações que focalizem preferencialmente o tema central do evento, sem prejuízo de contribuições significativas de natureza conjuntural
5) Viabilizar canais interativos entre os dirigentes dos cursos de Comunicação, no sentido de permitir articulações interinstitucionais no intervalo entre os fóruns anuais. A Intercom se comprometeu a criar um espaço exclusivo para o Endecom em seu site, permitindo a difusão de teses ou informações de interesse dos dirigentes universitários
6) Preservar espaços, no congresso nacional da Intercom, bem como em seus simpósios regionais, para o debate de questões relacionadas com as práticas pedagógicas e as estratégias educacionais, encaminhando propostas a serem submetidas ao crivo do Fórum anual das lideranças da área. A Intercom se dispõe a acolher tais iniciativas no congresso anual, por meio do Multicom – Colóquios Multitemáticos em Comunicação, ou do TLC – Seminário de Temas Livres em Comunicação. Nos simpósios regionais, ainda em fase de consolidação, as demandas serão acolhidas caso a caso.
Reconhecimento
As palavras finais do Endecom 2006 foram proferidas pela Profa. Margarida Kunsch, que agradeceu o comparecimento de representantes dos principais cursos de Comunicação do País, e o apoio recebido das equipes da diretoria e da secretaria da Intercom, do corpo docente da ECA-USP e do staff do Gestcorp. Convidou também os participantes da área de Relações Públicas para comparecer à assembléia de constituição da Associação Brasileira de Pesquisadores em Relações Públicas e Comunicação Organizacional (Abrapcorp), que aconteceu na manhã de 13 de maio, na ECA-USP.
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