Jornal quinzenal da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação
Ano 2, nº. 11, São Paulo – SP – Brasil 24 de março de 2006
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Intercomunicando

Intercom reassume vanguarda nacional em defesa da qualidade do ensino de Comunicação
José Marques de Melo – presidente da Intercom


Há um quarto de século, a comunidade acadêmica da Comunicação mobilizou-se em todo o território nacional para evitar que os cursos superiores da área fossem transformados em carreiras de curta duração, restritas a pós-graduados. Na verdade, o alvo principal era o curso de Jornalismo, nunca assimilado pelos adversários do diploma, que continuam de prontidão, como se viu no recente episódio protagonizado pela juíza Carla Rister.

Estávamos nos estertores do regime militar, quando os bolsões resistentes à transição “lenta, gradual e segura” para a democracia tentavam golpes de força, cujo êxito dependia das reações da sociedade civil. Naquela ocasião, instituições como a Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) e a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) assumiram a vanguarda do Movimento em Defesa dos Cursos de Comunicação – Endecom – abortando o processo em tramitação no antigo Conselho Federal de Educação (CFE).

O Endecom permaneceu ativo até o início do primeiro governo civil, dialogando com o então ministro da educação, Marco Maciel, que adotou uma política explícita de fortalecimento dos cursos de graduação. Atendendo a recomendação da primeira Comissão Nacional de Especialistas em Comunicação Social, o MEC fez um diagnóstico da situação da área, instituindo um programa de instalação da infra-estrutura laboratorial indispensável à formação dos profissionais demandados pelo mercado de trabalho. Além disso, estabeleceu consensualmente padrões mínimos de qualidade que passaram a ser objeto de fiscalização.

Esse fluxo interativo entre o Estado e as Universidades, mediado pela comunidade acadêmica, foi interrompido desde que o MEC eliminou as Comissões de Especialistas. Atribuindo o controle de qualidade do ensino de graduação a instâncias burocráticas, a verdade é que os padrões de qualidade começaram a cair neste primeiro qüinqüênio do novo século.

Essa tendência vem se aguçando como conseqüência da descontinuidade das diretrizes governamentais em relação ao ensino superior. Cada governo pretende começar do zero, abandonando sistemas ou diretrizes estabelecidos pelos antecessores.

Frente a esses impasses, organismos corporativos como os dos advogados, médicos ou engenheiros, tomam providências para filtrar os profissionais diplomados. Fazem, portanto, um controle de qualidade a posteriori.

No caso da Comunicação Social, um mosaico de profissões diferenciadas, cujo único território comum é a mídia (através da qual distribuem os conteúdos que produzem), não tem sido viável a instituição de mecanismos capazes de fazer a triagem entre as boas e as más escolas e de avaliar quais os diplomados que possuem competência.

Por isso mesmo, a Intercom, que esteve à frente do Endecom no inicio dos anos 80, decidiu revivê-lo nesta conjuntura, convertendo-o em Fórum Nacional em Defesa da Qualidade do Ensino de Comunicação.

O Fórum Endecom 2006 será instalado nos dias 11, 12 e 13 de maio deste ano, na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, instituição que comemora 40 anos de serviços prestados à coletividade. Informações estão disponíveis no site www.intercom.org.br

Para debater o tema estão sendo chamados representantes do Estado, das empresas, dos sindicatos e da comunidade acadêmica. A intenção é a de construir um espaço público, legitimado pela sociedade, de modo a exercitar vigilância permanente sobre a qualidade do ensino na área.